'Deus de barro'

Lula sobre Moro: ‘O maior mentiroso da história, disfarçado de herói’

Ex-presidente disse que vai continuar lutando para que seja decretada a suspeição do ex-juiz da Lava Jato. E alertou o povo brasileiro sobre a necessidade de vacinação contra a covid. “Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente ou do ministro da Saúde”

Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert
Lula espera ser imunizado na semana que vem e disse que quer fazer "propaganda" das vacinas

São Paulo – Apesar da anulação dos processos da Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (10) que vai continuar brigando juridicamente para que seja declarada a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. O julgamento do caso, a cargo da Segunda Turma do STF, voltou a ser interrompido, ontem, após o ministro Kassio Nunes Marques pedir vistas do processo. Gilmar Mendes e Lewandoswi votaram pela suspeição. Por sua vez, Cármem Lúcia deu indícios de que pode rever seu voto proferido na primeira sessão do julgamento, em 2018, desta vez se posicionando contra a conduta de Moro.

Leia a íntegra do primeiro discurso de Lula após anulação de condenações da Lava Jato

Lula chamou o ex-ministro de Jair Bolsonaro de “o maior mentiroso da história do Brasil”, e que ele era considerado “um herói, por aqueles que queriam me culpar”. “Deus de barro não dura muito tempo”, provocou.

“Tenho certeza que hoje ele deve estar sofrendo muito mais do que eu. Dallagnol deve estar sofrendo muito mais. Porque eles sabem que cometeram erros. E eu não cometi”, declarou, em seu pronunciamento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Foi a primeira manifestação do ex-presidente desde que, anteontem, o ministro do STF Edson Fachin decidiu pela incompetência 13ª Vara Federal de Curitiba, da qual Moro era titular durante a Operação Lava Jato, para julgar processos envolvendo a Petrobras.

Lula afirmou que sabia que chegaria o dia em que os processos contra ele seriam anulados. “Esse dia chegou”. Nesse sentido, ele saudou a decisão do ministro Edson Fachin. O ex-presidente afirmou, que pela primeira vez, “a verdade apareceu no Jornal Nacional”, que na edição de ontem de destaque aos votos de Gilma Mendes e Ricardo Lewandowski a favor da suspeição de Moro.

“Espero que a verdade versada pela Globo ontem seja o novo padrão de comportamento. A Globo não tem que gostar ou não gostar de presidente. Não tem que gostar ou não gostar de partido. Isso ela decide na hora de votar. Na hora de informar, tem que informar a verdade. Apenas, e somente, a verdade. Ontem fiquei feliz, porque ouvi a verdade proferida na íntegra por dois ministros”, declarou.

Vacina

Além disso, aos 75 anos, Lula afirmou que espera ser vacinado em breve. Disse que além de se vacinar, que fará “propaganda” em favor da imunização da população. “Semana que vem, se Deus quiser, eu vou tomar a minha vacina. Não importa de que país. Se são duas doses ou uma. Vou tomar a minha vacina, e quero fazer propaganda para o povo brasileiro.”

Também conclamou o povo brasileiro a não dar ouvidos ao que dizem o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. “Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde. Tome vacina. É uma das coisas que pode livrar você da covid”. Além disso, Lula recomendou às pessoas que, mesmo depois de imunizadas, mantenham os cuidados básicos – distanciamento social, procurar ficar em casa, só sair usando máscara o tempo todo e fazendo higiene constante das mãos –, colaborando para evitar a disseminação do novo coronavírus,

Por outro lado, o ex-presidente se emocionou ao lembrar do novo recorde de mortos pela pandemia no Brasil, marca atingida nesta terça-feira (9). E lamentou que as mortes estejam sendo “naturalizadas”. “Esse vírus nessa noite matou quase 2 mil pessoas. As mortes estão sendo naturalizadas. A gente ouve de manhã, de tarde e de noite, em todos os jornais. Eram mortes que muitas delas poderiam ser evitadas, se a gente tivesse um governo que tivesse feito o elementar”, criticou.

Aina sobre Bolsonaro, Lula afirmou que seu comportamento não é digno de um chefe de Estado do mundo civilizado. “Temos um presidente que ‘inventou’ uma tal de cloroquina. Que fala que quem tem medo da covid é maricas. Que era uma ‘gripezinha’, coisa de ‘covarde’.”Por fim, o ex-presidente disse que o Brasil precisa de um “comitê de crise”, com uma voz unificada para orientar a sociedade para que o país saia do atual quadro da pandemia o mais rápido possível.

Assista à integra do pronunciamento



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