Interdependência

Lula reafirma parceria estratégica com Argentina e integração econômica sul-americana

Ao receber o colega Alberto Fernández, presidente brasileiro falou sobre moeda específica para o comércio regional, sem eliminar as moedas nacionais

Ricardo Stuckert/PR
Ricardo Stuckert/PR
Lula e Fernández em Brasília: segundo o presidente, relações comerciais entre os países vizinhos podem superar os US$ 40 bilhões registrados em 2011

São Paulo – Na celebração de 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu seu colega Alberto Fernández e reafirmou a “aliança estratégica” dos dois países, além da integração econômica no continente. “Precisamos avançar nessa direção, com novas e criativas soluções que permitam maior integração financeira e facilitem nossas trocas. Entre as opções está a adoção de uma moeda de referência específica para o comércio regional que não eliminará as respectivas moedas nacionais”, discursou Lula durante recepção em Brasília, nesta segunda-feira (26).

Lula e a primeira-dama, Janja da Silva, receberam Fernández e sua mulher, Fabíola Yañez, na rampa do Palácio do Planalto. Os visitantes foram condecorados com as ordens do Cruzeiro do Sul e de Rio Branco. “As então Províncias Unidas do Prata foram, na prática, o primeiro estado a reconhecer o Brasil”, citou Lula, sobre o período imediatamente posterior ao da Proclamação da Independência, já em 1823. O presidente brasileiro lembrou que sua primeira viagem internacional, neste mandato, foi à Argentina. “Reafirmamos hoje que a integração é uma política de Estado e que nossa parceria deve ser cultivada no mais alto nível.”

Multilateralismo

Ele acrescentou que os dois países defendem a “criação de uma ordem multipolar e de um multilateralismo mais representativo e eficaz”. O Atlântico Sul, disse Lula, deve ser visto “como zona de paz e cooperação, sem disputas de natureza geopolítica”.

Integração significa interdependência, afirmou o presidente brasileiro, destacando as relações comerciais entre os dois maiores países da América do Sul. “A Argentina é o terceiro destino de nossas exportações, enquanto o Brasil é o principal mercado para os produtos argentinos. Nosso intercâmbio comercial pode superar a cifra de 40 bilhões de dólares que atingimos em 2011. (…) Nossos investimentos recíprocos são responsáveis por quase 100 mil empregos.”

Projeto de desenvolvimento

O relançamento da chamada Aliança Estratégica contempla “quase 100 ações que dão concretude ao nosso projeto conjunto de desenvolvimento”. Lula destacou as “perspectivas positivas” de financiamento do BNDES para exportação de produtos destinados à construção do Gasoduto Presidente Néstor Kirchner, na Argentina. Com 573 quilômetros de extensão, a obra deverá reduzir a dependência do país vizinho das importações de gás da Bolívia. O primeiro trecho entrou em operação na semana passada.

Além disso, Lula afirmou que o governo trabalha no sentido de criar “uma linha de financiamento abrangente das exportações brasileiras para a Argentina”. “Não faz sentido que o Brasil perca espaço no mercado argentino para outros países porque esses oferecem crédito e nós não”, disse o presidente. “Todo mundo tem a ganhar: as empresas e os trabalhadores brasileiros e os consumidores argentinos.”

Leia também: Moeda comum entre Brasil e Argentina: o desafio de se criarem as condições para a inovação

Em seu discurso, Lula também falou das ditaduras vividas pelos dois países e do compromisso com a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável, além da erradicação da fome e da pobreza. E homenageou uma das líderes das chamadas Mães da Praça de Maio. “Recordo a querida Hebe de Bonafini, que nos deixou no último ano. Que seu exemplo siga nos inspirando a promover e proteger os direitos humanos”, afirmou.

A Argentina tem o comando do Mercosul até o fim do ano. “Vamos deixar tudo organizado para passar a presidência ao Brasil”, disse Fernández.



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