Mais um militar

CPMI quebra sigilos de Zambelli e ouve ex-assessor de Bolsonaro que participou do 8 de janeiro

“Eu queria alertar que o senhor não será abandonado pelos bolsonaristas e por Bolsonaro, o senhor já está abandonado”, disse Rogério Correia ao sargento

Geraldo Magela/Senado
Geraldo Magela/Senado
Sargento Luís Marcos dos Reis subiu na cúpula do Congresso Nacional durante a invasão do 8 de janeiro

São Paulo – A CPMI do 8 de janeiro aprovou na manhã desta quinta-feira (24) a quebra de sigilos bancário e telemático da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e do hacker Walter Delgatti Neto. Aprovou ainda a reconvocação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A comissão ouve hoje o sargento Luís Marcos dos Reis, ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), que era subordinado de Cid na Ajudância de Ordens.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) começou sua inquirição a Reis dizendo a ele que sua situação “é grave”. O sargento foi preso por participar do esquema de falsificação do cartão de vacinação de Bolsonaro, e participou dos atos golpistas de 8 de janeiro. “Eu queria até alertar que o senhor não será abandonado pelos bolsonaristas e pelos ex-presidente Jair Bolsonaro, o senhor já está abandonado”, ironizou Correia.

“Eles abandonam um por um”, continuou o deputado. Ele citou o exemplo da deputada Carla Zambelli e a quebra dos sigilos da bolsonarista na sessão de hoje “sem que houvesse uma oposição sequer dos bolsonaristas”, destacou Correia. “O senhor veio sem farda, mas Mauro Cid está fardado porque ainda tem algum respaldo.”

Personagem ativo no 8 de janeiro

O parlamentar mostrou vídeo de reportagens que mostram movimentação incompatível de R$ 3,5 milhões de Reis em conta bancária de Mauro Cid, embora o sargento ganhe R$ 13 mil. Ele participou ativamente do acampamento bolsonarista no QG do Exército na capital federal e foi personagem também ativo dos ataques à Praça dos Três Poderes.

O sargento subiu na cúpula do Congresso Nacional durante a invasão, de onde mandou mensagens de vídeo por WhatsApp, aparentemente a um primo, e escreveu: “Eu estou no meio da muvuca! Não sei o que está acontecendo! O bicho vai pegar!”.

Em áudio, acrescentou: “Entraram no Planalto, no Congresso, Câmara dos Deputados, entrou no STF. E quebrou, arrancou as togas lá daqueles ladrão (sic). Arrancou tudo! Foi, foi. O bicho pegou hoje aqui!”, dizia a mensagem, referindo-se a ministros do STF. Ele também disse: “Graças a Deus! Foi bonito aqui!”, “o recado foi dado”.

Correia então observou que, apesar dessas provas, o depoente justificou sua presença no 8 de janeiro como se tivesse ido à Praça dos Três Poderes “fortuitamente, passear e ver aquele movimento bonito que estava ocorrendo…”

De Luís Marcos dos Reis a Michelle Bolsonaro

O deputado citou ainda o laranja Vanderlei Cardoso de Barros, dono da empresa Cedro do Líbano, que “fez depósitos pro senhor que depois foi parar na conta da Michelle Bolsonaro que o senhor pagava as contas”. Reis e Vanderlei eram muito próximos, tanto que o ex-assessor de Bolsonaro ouvido na CPI o chamava de Delei.

Segundo a Polícia Federal, a Cedro do Líbano Comércio de Madeiras e Materiais para Construção, com sede em Goiânia e contratos com o governo federal no governo Bolsonaro, era a origem de depósitos na conta bancária do sargento Dos Reis.

O principal contrato da Cedro do Líbano é com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), estatal que já foi alvo de operações da PF contra corrupção em contratos no Nordeste no ano passado.



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