a 4 meses da eleição

Apesar dos sinais, instituições subestimam capacidade de Bolsonaro de incendiar o país

Resolução da Polícia Militar do Rio de Janeiro autoriza a distribuição de armas de fogo e munição a 10 mil policiais militares da reserva

Arquivo/Agência Brasil
Arquivo/Agência Brasil
"Acesso restrito" é justificado pelo fato de não se poder comprometer “atividades de inteligência"

São Paulo – Os principais representantes das instituições no país estão subestimando a capacidade de Jair Bolsonaro de incendiar o país, caso ele perca as eleições em outubro, como as pesquisas e a lógica política indicam. Notícia preocupante divulgada esta semana dá conta de que uma resolução publicada pelo comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Luiz Henrique Marinho Pires, autoriza a distribuição de armas de fogo e munição a 10 mil policiais militares da reserva. A informação foi publicada primeiro na coluna da jornalista Berenice Seara, do jornal Extra.

Os detalhes em torno da medida são sigilosos, como mostra matéria do Uol. O “acesso restrito” é justificado com a Lei de Acesso à Informação (LAI), segundo a qual não se poder comprometer “atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações”. O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), é aliado de Bolsonaro.

De acordo com a resolução, uma pistola e até três carregadores com pelo menos 50 munições estarão à disposição dos policiais que se enquadrarem nas condições exigidas, como não ter problemas psiquiátricos, não estar cumprindo pena, na esfera judicial ou administrativa, entre outras. O porta-voz da PM, tenente-coronel Ivan Blaz, afirmou à imprensa que as armas servirão para os policiais fazerem “bicos” de segurança fora da corporação.

Descrença perigosa

Apesar desse e outros sinais – como as sistemáticas ameaças de Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral – os presidentes dos poderes e seus membros hesitam em acreditar na disposição de Bolsonaro para fomentar o caos. Esta semana, um jantar na casa da ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia, relatado pela jornalista Mônica Bergamo, reuniu o presidente do STF, Luiz Fux, e senadores importantes da República.

Tasso Jereissati (PSDB-CE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Kátia Abreu (Progressistas-GO), Eduardo Braga (MDB-AM), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e Marcelo Castro (MDB-PI) estavam presentes.

No encontro, segundo o relato, Tasso aconselhou Cármen e Fux a procurarem militares para conversar e fazerem “contato direto e periódico” com as Forças Armadas.

Sinais ignorados

Nos meios institucionais tem predominado o entendimento de que as Forças Armadas não apoiariam um golpe. No entanto, a disposição bolsonarista de promover um Capitólio brasiliense, como ocorreu nos EUA em 6 de janeiro de 2021, é uma conjectura permanente. E plausível. Especialistas vêm alertando para o potencial de polícias militares provocarem problemas institucionais nos estados. Casos como a rebelião no Ceará em 2020 confirmam essa ameaça e o perigo da instrumentalização das PMs.

Fux teria perguntado no jantar aos senadores se acreditavam que Bolsonaro tentaria um golpe. Coube ao senador Bezerra Coelho, ex-líder do governo no Senado, dizer que ninguém deveria subestimar a capacidade de Bolsonaro de criar instabilidade no país, informou a colunista da Folha de S. Paulo.


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