Papelão nos EUA

Bolsonarista é primeiro deputado cassado dos EUA em 20 anos

George Santos, próximo a pastores e membros do clã Bolsonaro, é o primeiro republicano cassado da história dos EUA. Entenda

Reprodução/Redes Sociais
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Santos (ao centro) ao lado da cúpula bolsonarista incluindo Eduardo Bolsonaro e o pastor Magno Malta

São Paulo – George Santos era deputado federal nos Estados Unidos. Republicano, segue os ideais de Donald Trump lá e de Jair Bolsonaro aqui. Santos tem ligações estreitas com o núcleo bolsonarista brasileiro. Inclusive, ostenta a relação com filhos de Bolsonaro e pastores radicais neopentecostais. Hoje (1º), foi o primeiro membro do Partido Republicano cassado da história. Sobre o bolsonarista, pesam acusações de fraudes diversas e lavagem de dinheiro, entre outras.

Santos virou piada nos Estados Unidos. “Que este lugar vá para o inferno” foram suas últimas palavras enquanto congressista da maior economia mundial. São 23 acusações contra o bolsonarista yankee. Ele é filho de pais brasileiros. Inclusive pesam acusações de fraude em suas eleição, como estelionato eleitoral. Lá, mesmo em seu partido, ele tem ampla rejeição. Sexto parlamentar cassado na história norte-americana, Santos teve 105 votos pela cassação entre Republicanos, e 112 contra. Já entre membros do Partido Democrata, quase unanimidade; apenas dois foram contrários dos 208 da legenda.

De todos os deputados cassados dos EUA, metade deles, três, eram confederados, apoiavam a escravidão. Então, agora, o bolsonarista está neste mesmo grupo. Além de sua cassação vexatória diante da sociedade norte-americana, funcionários do Congresso fizeram questão de trocar as fechaduras de seu gabinete enquanto ele estava fora. Mesmo na região que o elegeu (Long Island e Queens, em Nova York), o eleitorado chegou a realizar manifestações por sua expulsão da política norte-americana. Ao defender sua candidatura, Santos disse ser alvo de “bullying” e perseguição.

Bolsonarista nos EUA

Agora, diferente do Brasil, em que existem suplentes do mesmo partido, a governadora de seu estado, de Nova York, Kathy Hochul, convocará novas eleições em até 80 dias para decidir seu substituto. Os democratas enxergam uma oportunidade para eleger mais um congressista, já que são minoria no Parlamento, em um cenário parecido com o Brasil, em que Lula não tem maioria no Congresso, bem como Joe Biden.

Então, os democratas virão com nomes de peso. Antes de Santos, a cadeira regional era de Tom Suozzi. Ele seria nome certeiro para a vaga. Contudo, a ex-senadora Anna Kaplan deve entrar na disputa. Anna é mais ligada a ala progressista, que ganhou força na região após a tragédia que foi a representação do bolsonarista do distrito.

Do lado dos republicanos conservadores, David Joyce, membro do Comitê de Ética do Congresso sentencia que a presença do bolsonarista Santos era insustentável. “Ele defraudou eleitores do seu distrito. Sua vida foi inventada, era uma mentira. Sua campanha foi um golpe, pegando dinheiro de doadores para seu uso pessoal”, disse. Então, além disso, os republicanos temem que a visão bolsonarista de Santos “contamine” a imagem do partido em Nova York.


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