Salvamento

Resgate de animais mobiliza o RS. ‘Ninguém fica para trás’

Além de salvar pessoas, voluntários e agentes públicos trabalham incansáveis para salvar animais que sofrem com as chuvas no Rio Grande do Sul

DIVULGAÇÃO/CBMSC
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De acordo com dados da Defesa Civil estadual, divulgados no fim de semana, forças conjuntas já resgataram mais de 10,3 mil animais

São Paulo – O estado do Rio Grande do Sul enfrenta a maior tragédia climática de sua história. Há mais de 10 dias, chuvas alagam cidades inteiras e trazem problemas para 85% dos municípios do estado. Enquanto isso, junto com os esforços para ajudar as pessoas afetadas, também há mobilização para resgatar animais de estimação e silvestres que foram atingidos, isolados e carregados pelas águas.

De acordo com dados da Defesa Civil estadual, divulgados no fim de semana, forças conjuntas já resgataram mais de 10,3 mil animais . Esses esforços envolvem a colaboração da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema/RS) e do Grupo de Respostas a Animais em Desastres (GRAD), formado por voluntários de diversas áreas de atuação ligadas à defesa dos animais. Além disso, muitos voluntários de todo o país estão no local.

Um dos resgates que ganhou as manchetes foi o do cavalo apelidado de Caramelo. Ele estava ilhado em cima de um telhado no bairro Mathias Velho, em Canoas. Essa operação contou com apoio militares do Corpo de Bombeiros de São Paulo e da Brigada Militar do estado, na quinta-feira (8). Uma das vozes solidárias que influenciou no resgate acelerado do cavalo foi a primera-dama, a Janja. Ela, inclusive, adotou um cachorro em visita recente aos locais afetados.

Tutores dos animais

Todos os animais salvos passam por uma triagem veterinária. Então, são devolvidos aos tutores quando possível. Caso não haja identificação dos donos, vão para abrigos públicos ou espaços do GRAD. Aqueles que estão com hipotermia ou lesões vão para clínicas veterinárias.

Para ajudar na identificação e reencontro dos animais com seus tutores, organizações não governamentais e grupos independentes de protetores de animais estão mobilizados nas redes sociais. Perfis como @acheseupetrs, @dogs_enchenters e @tosalvoanimais no Instagram estão ativos para facilitar esse processo.

Doações

O GRAD leva o lema de que “toda vida importa e ninguém ficará para trás”. Eles estão enfrentando desafios para alcançar áreas ainda inacessíveis. Por isso, solicitou apoio de embarcações a motor para ampliar as ações de salvamento nas regiões alagadas. Doações financeiras podem ser feitas através da chave PIX: doe@gradbrasil.org.br.

Além disso, estão sendo aceitas doações de rações para diversos tipos de animais, embalagens fechadas, assim como outros itens essenciais, incluindo medicamentos veterinários e microchips de identificação. Os protetores independentes e organizações da sociedade civil também necessitam de veterinários voluntários e pessoas dispostas a oferecer lares temporários para os animais resgatados.

Palavra de ativista

Então, ativistas como Luisa Mell também estão na linha de frente dos resgates. Em entrevista recente à revista Planeta, Mell expressou sua preocupação com a situação e destacou a importância do apoio contínuo para garantir o bem-estar dos animais afetados. “Eu achava que eu viria e resgataria, sei lá, 50 animais e voltaria. Eu não tinha noção do tamanho disso tudo”, disse. “Estou muito abalada, estou horrorizada”.

“Eu acho que é a coisa mais terrível que já vivi, que eu já presenciei. Mesmo em Brumadinho, que foi uma tragédia daquele nível, lá não tinha essa loucura que está acontecendo aqui, com essa quantidade de gente e de animais precisando de resgate. É muito, é muito, é muito animal”, continua. “Tem muita gente ajudando, toda hora vemos barcos voltando com cachorros. Não precisa nem andar muito porque você já vê muitos animais”, finaliza sobre a realidade da situação.



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