Sem transparência

Prefeitura de São Paulo cria projeto secreto de ‘revitalização’ de praças e concreta áreas verdes

Prefeitura de São Paulo “revitaliza” praças sem diálogo com a população e causa mais problemas do que soluções

Reprodução/Facebook
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Moradores que adotaram Praça Horácio Sabino, na Vila Madalena, conseguiram reverter, em parte, o "estrago"

São Paulo – O governo do prefeito Ricardo Nunes (MDB) lançou em janeiro o projeto Praças da Família, de “revitalização” de 100 espaços na cidade, entre praças e parques, integrando-os com a comunidade do entorno. Porém, fora do informativo publicado no site da prefeitura paulistana, não há nenhuma integração com a comunidade. A proposta, envolve investimento de R$ 11 milhões do Fundo de Desenvolvimento Urbano (Fundurb). Mas não está detalhada no Diário Oficial do Município e em nenhum outro documento do governo Nunes. Ou seja, como dizem seus críticos, falta transparência.

A gestão não informa quais praças receberão as intervenções de revitalização, que só constam no Diário Oficial como obras realizadas pelas subprefeituras. Moradores do entorno de praças que vão receber intervenções não gostaram da proposta, pois reclamam não terem sido ouvidos. A ativista de praças Camila Ferraz, do comitê de usuários da praça Orlando Zanfelice Júnior, na Barra Funda, relata que não houve consulta ao grupo. Mesmo após um pedido de reunião com a subprefeitura, a comunidade não teve acesso a informações sobre o projeto.

Praças impermeáveis

A praça teve vários espaços pavimentados e recebeu piso de borracha na área do parquinho, contrariando a lei municipal 17.578 de 2021, que determina a ampliação de áreas permeáveis à chuva. Além disso, segundo Camila, a obra ignorou as características da praça e desmontou um espaço para cães construído há poucos meses.

Na Vila Madalena, as praças Maria Noeli e Horácio Sabino receberam o mesmo tipo de intervenção contestada pela comunidade. Na Horácio Sabino, a mobilização dos moradores conseguiu reverter em parte o estrago. Mas moradores ainda reclamam, por exemplo, que o parquinho não ficou da mesma forma.

O arquiteto urbanista Nabil Bonduki considera um erro a proposta da prefeitura. E lembra que a lei municipal 16.212, de 2015, que estabelece a gestão participativa das praças, determina a consulta à população. Além disso, Bonduki aponta que garantir acessibilidade nas praças é obrigação, mas que isso não pode ser feito simplesmente pavimentando todo o espaço.

A RBA procurou a prefeitura de São Paulo, mas não obteve retorno. Ouça a reportagem completa (5 min).


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