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Alesp homenageia 40 anos de luta do MST pela reforma agrária

MST é símbolo da reforma agrária, da produção de alimentos saudáveis e vem ajudando a construir a democracia brasileira, disse o deputado Simão Pedro (PT), que propôs a sessão solene junto a outros 23 parlamentares

Larissa da Silva/MST
Larissa da Silva/MST
Nascido no final da ditadura, MST é o movimento camponês mais longevo da história brasileira

São Paulo – Cerca de 400 pessoas, entre parlamentares e representantes de movimentos sociais do campo e das cidades, ocupam o plenário Juscelino Kubitschek, na Assembleia Legislativa de São Paulo, na noite desta segunda-feira (15) para homenagear os 40 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) . Em sessão solene, os deputados paulistas, principalmente de partidos progressistas, destacaram a importância do MST em defesa do acesso à terra e também no fortalecimento da democracia brasileira.

O deputado estadual Simão Pedro (PT) disse que, quando propôs a homenagem, ainda no ano passado, o MST era alvo de perseguição. O movimento estava na mira de duas CPIs, uma no parlamento paulista, outra no Congresso Nacional. “Foi um tiro n’água. O MST mantém uma luta histórica em defesa da reforma agrária, da produção de alimentos saudáveis e novos modelos de produção de alimentos”.

Outros 23 parlamentares do PT, PCdo B, e Psol também ratificaram a homenagem, em parceria com o proponente. Representando os sem-terra, João Paulo Rodrigues e Gilmar Mauro, da coordenação do MST, acompanham a homenagem.

Ele lembrou que participou de outras celebrações ao MST, por exemplo, quando o movimento completou três décadas de existência, em 2014. “Naquela época já dizia, temos que homenagear o MST porque é um movimento que vem lutando dentro da democracia. Aliás, vem ajudando a construir a democracia brasileira, ajudando a fazer a justiça social. É um governo que atua na legalidade e age de acordo com a Constituição, buscando aplicar aquele artigo que diz que toda propriedade precisa cumprir uma função social”.

Memórias

Do mesmo modo, o deputado Eduardo Suplicy também relembrou momentos de sua atuação política ao lado do MST. Ele esteve, por exemplo, num assentamento do movimento no Pontal do Paranapanema, interior paulista, quando oito integrantes do movimento foram feridos a bala por seguranças de um fazendeiro da região.

“Quando nos seus primeiros anos, o MST visitou o Congresso Nacional, levei-os para dialogar com os senadores. De lá para cá, se organizarão tão bem para lutar pela reforma agrária. E para que haja efetivamente uma melhor distribuição da terra, e para a que a riqueza brasileira seja proporcionada a toda e qualquer pessoa”, ressaltou Suplicy.

De Cascavel para o mundo

Atualmente, o MST está presente em 24 estados brasileiros. Trata-se do movimento popular camponês mais longevo da história do país, e um dos maiores organizações sociais da América Latina. Quando ocorreu 1º Encontro Nacional, em Cascavel, no estado do Paraná, em 1984, eram pouco mais de 100 militantes que lutavam para reacender a luta por uma reforma agrária no Brasil.

São 185 cooperativas, 1,9 mil associações, 120 agroindústrias, cerca de 400 mil famílias assentadas e outras 70 mil vivendo em acampamentos ligados ao movimento. Após quatro décadas, além da luta pelo acesso à terra, o MST é sinônimo de alimentos saudáveis, produzidos com base nos princípios da agroecologia.

Exposição fotográfica

Além da sessão solene, a Alesp também recebe até a próxima sexta-feira (19) a exposição fotográfica MST 40 anos – Reforma Agrária e a Democratização do acesso à terra. São 45 imagens coloridas e em preto e branco do artista Douglas Mansur. Elas registram a luta pela terra, o trabalho agrícola, as dificuldades da vida nos acampamentos e o apoio de personalidades importantes, como o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A entrada é franca.



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