Expectativas e danos

‘Responsabilidade total é da Braskem’, afirma ministro sobre colapso iminente em Maceió

Mina da Braskem está em colapso. 55 mil pessoas deixarem suas casas em Maceió. Impacto total pode acontecer a qualquer momento

Reprodução/SBT
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A qualquer momento a estrutura subterrânea deve ceder completamente. A situação provocará terremotos e diversos bairros da capital alagoana cederão

São Paulo – O colapso iminente de uma mina da Braskem em Maceió está próximo. É o que informou hoje (1) a Defesa Civil. De acordo com autoridades locais, a mina já caiu 1,42 metros e continua assim, em uma média de 2,6 centímetros por hora. A qualquer momento a estrutura subterrânea deve ceder completamente. A situação provocará terremotos e diversos bairros da capital alagoana cederão. O tamanho do estrago ainda é incerto.

Desde ontem, a cidade está em alerta máximo, que deve durar mais 180 dias. O governo federal destacou uma equipe para acompanhar o caso. Um dos integrantes, o alagoano Renan Filho, ex-governador do estado que hoje ocupa a pasta dos Transportes, está na cidade. Para o ministro, a responsabilidade deve cair sobre a Braskem, uma empresa gigante do setor petroquímico e minerador. O caso específico de Maceió envolve uma mina de sal-gema da empresa.

“A responsabilidade da Braskem é total. No Brasil, a legislação ambiental impõe o crime a quem o pratica. Quem praticou esse desastre ambiental foi a Braskem. Ela própria diz, em reiteradas manifestações, que já investiu R$ 15 bilhões em indenizações e tentativas de estabilização. Antes da investigação, eles negaram, tentaram colocar a responsabilidade em outras empresas e disseram que não eram com eles. Mas não teve como; tecnicamente ficou claro”, disse o ministro ao Uol no início da tarde.

Tamanho da tragédia em Maceió

A empresa explora a área urbana de Maceió desde a década de 1970, quando conseguiu licença durante o governo da ditadura civil-militar (1964-1985). São 35 minas abaixo da capital alagoana. Além dos tremores e do solo que deve ceder, também esperam uma cratera de 300 metros de diâmetro dentro da cidade. Então, boa parte do município já está evacuado. Trata-se de uma tragédia de proporções raras. Geólogos comparam a Chernobyl pelo deslocamento humano.

Renan Filho compara com o rompimento de barragens da Samarco/Vale em Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. Então, exige punição de acordo com o estrago. “A responsabilidade da empresa é total. É assim com crimes ambientais. Da mesma forma como em Brumadinho e em Mariana as empresas foram responsáveis, a mesma coisa acontece em Alagoas”, disse.

Tragédia anunciada

Há cerca de uma década cientistas alertam para os riscos na região. Foram ignorados. Contudo, em 2019, casas começaram a rachar e anunciaram a tragédia que estava por vir. O Ministério Público Federal (MPF), inclusive, investiga se a empresa utilizou areia da praia, imprópria para empreendimentos desta natureza, para preencher cavernas com risco de colapso. Mesmo a RBA já havia noticiado a tragédia anunciada.

“Para as empresas, o lucro. Para o povo, rejeitos. Nestes últimos anos, enquanto o solo lentamente afundava e famílias perdiam sua segurança e suas casas, a Braskem seguia encontrando formas de não indenizar a população devidamente”, critica a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP). Ela lembra que a Braskem, inclusive, entrou na Justiça para tentar impedir manifestações contra a empresa.

“A ação do Governo Federal e da Justiça é urgente. A impunidade não pode continuar sendo a regra, e o povo não pode continuar sendo refém dos lucros privados de mineradoras. O que queremos é a mais exemplar das punições para a Braskem”, completa a parlamentar.

A mina da Braskem

A mina 18, que está cedendo, estava em processo de fechamento desde que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) confirmou que a atividade havia provocado o afundamento do solo na na região. O sal-gema é uma matéria-prima usada na indústria para obtenção de produtos como cloro, ácido clorídrico, soda cáustica e bicarbonato de sódio.

“A equipe de análise da Defesa Civil ressalta que essas informações são baseadas em dados contínuos, incluindo análises sísmicas. Por precaução, a recomendação é clara. Então, a população não deve transitar na área até uma nova atualização da Defesa Civil, enquanto aplicamos medidas de controle e monitoramento para reduzir o perigo”, afirma comunicado da Defesa Civil.

Mais de 55 mil pessoas foram obrigadas a se deslocar. Nove escolas foram estruturadas com carros-pipa, colchões, alimentação, equipes de saúde, equipes da Guarda Municipal e de assistência social para receber os atingidos.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, também visitou a região. “O cenário é grave, estamos falando de abalos sísmicos, bairros afundando, consequências de um possível crime socioambiental. Então, o MDS está atento para acompanhar de perto a situação e prestarmos a assistência necessária para ajudar no que for preciso”, afirma o chefe da pasta.


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