Contágio cotidiano

Mesmo com transporte lotado, empresas do setor demitiram quase 50 mil em 2020

Motoristas e cobradores de São Paulo pedem vacinação. Segundo sindicato, 113 profissionais já morreram em razão da covid-19

WRI Brasil/SindMotoristas SP - Montagem RBA
WRI Brasil/SindMotoristas SP - Montagem RBA
Trabalhador se arrisca no transporte coletivo. Motoristas e cobradores protestam em São Paulo: pedem vacina e aumento da frota

São Paulo – Com transportes ainda mais lotados durante a pandemia, o Brasil perdeu quase 50 mil postos de trabalho formais no setor em 2020. Os dados, reunidos pelo Dieese, são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Só uma unidade da federação (Pará) contratou mais do que demitiu.

“Durante a pandemia, os trabalhadores do setor de transportes coletivos foram considerados essenciais”, lembra o Dieese. “Havia alguma expectativa de que o emprego no transporte urbano apresentasse alguma melhora no período, com mais ônibus circulando para reduzir aglomerações dentro dos veículos, no entanto, ocorreu o contrário”, acrescenta o instituto, no boletim Cadernos de Negociação.

Das 49.820 vagas fechadas no setor, no ano passado, os motoristas eram 29.339 e os cobradores, 20.481. O estado de São Paulo respondeu por 10.435 postos de trabalho eliminados, seguido do Rio de Janeiro (9.262), Minas Gerais (5.339), Rio Grande do Sul (4.378) e Pernambuco (3.963). No Pará, foi registrado um pequeno saldo, de 118 vagas, enquanto outros três estados da região Norte (Acre, Rondônia e Roraima) ficaram perto da estabilidade.

Na semana passada, motoristas e cobradores da cidade de São Paulo fizeram protesto contra a lotação excessiva dos veículos e por vacina para a categoria. O Sindmotoristas, sindicato da categoria, divulgou dados da Secretaria de Saúde mostrando aumento das ocorrências no setor.

Até a última quarta-feira (24), na capital paulista, casos de covid-19 considerados suspeitos no setor somaram 1.739, enquanto os confirmados eram 844. Já o número de mortes em consequência de complicações causadas pela doença chegaram a 113. Foram 34 na região leste, 33 na sul, 29 na oeste, 12 na sudeste e cinco na norte. O Sindmotoristas fala em “crime à saúde pública e atentado contra a vida”.



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