Retrato

Fé no futuro

Mauricio Morais Lafaiete Simões Machado não é estreante na Revista do Brasil. Em novembro de 2006, ele estampou a capa da sexta edição, cujo tema era a promoção da igualdade […]

Mauricio Morais

Lafaiete Simões Machado não é estreante na Revista do Brasil. Em novembro de 2006, ele estampou a capa da sexta edição, cujo tema era a promoção da igualdade racial. Beneficiário das políticas de inclusão, é bolsista do curso de Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo e já vai concluir o penúltimo semestre. O ingresso nesse universo não foi nada fácil. Depois de ser reprovado no vestibular para Artes Plásticas, na USP, estudou um ano na Educafro – rede comunitária de cursinhos pré-vestibulares com foco na inclusão de negros nas universidades – e conseguiu a vaga.

Hoje Lafaiete, aos 27 anos, tem outra perspectiva de vida: “Descobri que o maior poder que a pessoa tem é o conhecimento. Quando você tem conteúdo, autoestima, sabe de onde vem e o que quer, de excluído passa a representante, deixa de ser aquela coisa estereotipada”. Apesar de já se sentir preparado para o mercado de trabalho, por enquanto só percebeu mudanças intelectuais em sua vida. Na prática, a realidade de 2006, quando era serigrafista e ganhava R$ 490 por mês, ainda não mudou com o trabalho de vendedor numa loja de artigos esportivos. “No Brasil, o racismo é velado e os negros são excluídos nas entrelinhas. Apesar de ter estudado inglês e árabe e feito vários cursos de arte, ainda não consegui emprego na minha área.” Lafaiete também é professor de cidadania da Educafro. “Sei que sou uma referência. Depois que saí na Revista do Brasil, muita gente veio me procurar e consegui colocar alguns amigos na Educafro. Eu servi de exemplo, e as pessoas passaram a acreditar que é, sim, possível mudar.”

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