Eleições 2022

Pesquisa Ipespe não justifica suposto ‘otimismo’ bolsonarista relatado na mídia

Projeções indicam que, num segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o petista teria hoje 53% contra 33% do presidente, mas venceria com 61,6% dos votos válidos

Ricardo Stuckert (Instituto Lula) e Marcos Corrêa (PR)
Ricardo Stuckert (Instituto Lula) e Marcos Corrêa (PR)
Num cálculo aproximado, se a eleição fosse hoje, Bolsonaro precisaria de 19,2 milhões de votos

São Paulo – Comentaristas políticos observaram, nesta quarta-feira (6), que houve alguma comemoração no Palácio do Planalto com a divulgação da pesquisa Ipespe. O estudo – registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº BR-03874/2022 – apontou crescimento de quatro pontos percentuais de Jair Bolsonaro, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mantém estável nos 44%, liderando a corrida.

A saída do ex-juiz Sergio Moro da disputa pela Presidência foi o principal fator ao qual se atribui crescimento de Bolsonaro em relação à pesquisa anterior, de 26% para 30% das intenções de voto. O arrefecimento da pandemia de covid-19 e o Auxílio Brasil também teriam contribuído. Segundo análises mais “otimistas”, o governo acredita que em maio Bolsonaro poderia “encostar” em Lula.

Mas, de acordo com os números que o Ipespe contabiliza como “probabilidade de voto”, não é o que deve acontecer. Entre os entrevistados, 61% afirmam que não votariam em Bolsonaro “de jeito nenhum”, enquanto 29% responderam que “com certeza” votariam e apenas 8% afirmaram que “poderiam” votar. Isso significa que, em tese, em qualquer cenário, Bolsonaro tem hoje um teto de 37% das intenções de voto, na soma dos fiéis bolsonaristas e dos que até admitem o voto.

Em um cálculo aproximado, e considerando o número que o Brasil tinha 147,9 milhões de eleitores em 2020, sem levar em conta o crescimento do eleitorado, Bolsonaro precisaria, hoje, conquistar 19,2 milhões de votos para chegar aos 50% + 1 voto e se reeleger. Em 2018, o então vencedor recebeu 10,7 milhões de votos a mais que seu adversário, Fernando Haddad.

Segundo turno

Num eventual segundo turno entre os candidatos que lideram as pesquisas, Lula teria 53%, contra 33% de Bolsonaro – o que indica que, na “fotografia” atual, o presidente da República tem uma margem de crescimento muito pequena para se reeleger. Segundo o estudo, 14% respondem “branco/nulo/não votaria/não respondeu”. Eliminando esses 14%, Lula teria hoje 61,6% dos votos válidos.

O levantamento mostra que 43% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 44% que afirmam que com certeza votariam e 12% respondem que podem votar. O teto do petista, hoje, vai a 56%. Segundo a pesquisa, a rejeição ao ex-presidente é a mesma que a de Ciro Gomes (43%), sendo que o pedetista tem a seu favor os eleitores que “poderiam” votar nele, enquanto apenas 12% respondem que votariam nele com certeza – patamar muito baixo.

Terceira via não passa de 10%

Já a chamada terceira via conta com apenas 10% dos eleitores que afirmam que “com certeza” votariam em um de seus pretensos representantes, que na pesquisa Ipespe são João Doria (6%) e Simone Tebet (4%). Mas, ao contrário de Doria, em quem 57% garantem que não votariam, diante do nome de Simone 46% escolhem a resposta “não conhece o suficiente” e só 35% cravam que não votariam na senadora do MDB.

Em suas páginas nas redes sociais, o cientista político Vitor Marchetti especula que, se eleição em dois turnos permite que os eleitores votem, primeiro, segundo suas convicções, e, “numa segunda rodada”, faça “cálculos mais estratégicos”, dependendo do cenário, os eleitores podem antecipar o esse voto “estratégico”.

Na atual disputa, “há alguma chance da eleição ser resolvida ainda em primeiro turno”, aponta o analista. “Não porque há um candidato com muita força eleitoral, mas pela ausência de uma alternativa que dê sentido para uma eleição em dois turnos. O voto preferencial pode dar lugar para o voto estratégico na medida em que se cristalizar a disputa entre Lula e Bolsonaro e a tal da terceira via continuar capotando na curva”, escreve o analista. “Qual o sentido de prolongar o tempo de uma eleição que já está com cara de segundo turno?”

Fonte: Ipespe


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