República de Curitiba

Gabriela Hardt deixa Lava Jato e aliado de Sergio Moro assume 13ª Vara Federal

Novo titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, Fábio Nunes de Martino, assinou documento de apoio ao ex-juiz e Deltan Dallagnol na época da Vaza Jato

Gil Ferreira/ agência CNJ
Gil Ferreira/ agência CNJ
Hardt ocupava a titularidade da Lava Jato no Paraná desde o afastamento do então titular, Eduardo Appio

São Paulo – Um novo juiz assumiu a famosa 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela Operação Lava-Jato. Segundo informação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) nesta segunda-feira (19), o magistrado designado é Fábio Nunes de Martino, que ocupava a 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR). A polêmica juíza Gabriela Hardt, que estava no posto antigamente ocupado pelo ex-juiz Sergio Moro, foi transferida para a 3º Turma Recursal do Paraná.

Hardt ocupava a titularidade da Lava Jato no Paraná desde o afastamento do então titular, Eduardo Appio, pelo TRF-4. Appio é acusado de ameaçar João Eduardo Barreto Malucelli, sócio de Sergio Moro no escritório Wolff & Moro Sociedade de Advogados, por meio de um telefonema. O magistrado nega a autoria da ligação.

Além de substituir Moro quando o ex-juiz foi nomeado ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, em 2019, a juíza Gabriela Hardt foi celebrizada por ter “copiado e colado” trechos da sentença em que o ex-juiz condenou o então ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia.

Juíza copy/paste

Por isso, a 8ª Turma do Tribunal Federal da 4ª Região foi obrigada a acatar uma apelação e anular uma sentença de Hardt de 2019. O TRF-4 destacou  que a sentença era nula, já que a magistrada “apropriou-se ipsis litteris dos fundamentos das alegações finais do Ministério Público Federal, sem fazer qualquer referência de que os estava adotando como razões de decidir”.

No início daquele ano, Hardt condenou Lula a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia (SP). A defesa do petista, conandada por Cristiano Zanin, alegou que a magistrada copiou trechos da decisão de Moro condenando o petista no caso do triplex do Guarujá (SP).

Outro aliado de Moro

O novo responsável pela 13.ª Vara Federal de Curitiba, como Gabriela Hardt, é considerado aliado de Moro. Fábio Nunes de Martino assinou uma moção de apoio ao agora senador Sergio Moro (União Brasil-PR), quando foram divulgados os diálogos dele com o então procurador da República Deltan Dallagnol, no que ficou eternizado como Vaza Jato.

Divulgado em 2019, o manifesto assinado pelo agora titular da Lava Jato de Curitiba afirmava que as mensagens entre Deltan e Moro eram um “diálogo interinstitucional republicano”. Disse também que as falas “não ofendem o princípio da imparcialidade”.

“Acreditamos que, enquanto juiz, Sérgio Fernando Moro jamais se desviou dos deveres exigidos de um magistrado sério, alinhado com os princípios éticos, comprometido com a busca da verdade e aplicação da Justiça”, dizia o libelo lavajatista.

Começo do fim

No entanto, em 2019, aqueles diálogos foram o que começou a desmontar a “República de Curitiba”. Na ocasião, o sociólogo Laymert Garcia dos Santos afirmou à RBA que a Vaza Jato (como ficou conhecido o vazamento dos diálogos) foi responsável por produzir um efeito “devastador” sobre a força-tarefa comandada Moro e Dallagnol.


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