Massacre

Movimentos organizam atos em apoio aos palestinos; 610 mil tiveram a água cortada por Israel

Atos já foram confirmados no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo em solidariedade ao povo palestino. ONU informa que 187 mil tiveram de deixar suas casas. Há pelo menos 787 mortos e 4,9 mil feridos em Gaza

Reprodução/Sul21
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Em São Paulo, o levante em defesa da Palestina ocorrerá às 18h, no Galpão do Armazém do Campo do MST, na região central da capital paulista

São Paulo – Movimentos sociais, organizações estudantis, representações diplomáticas, sindicatos e parlamentares organizam protestos no Brasil em solidariedade aos palestinos. Um ato foi confirmado para esta terça (10), a partir das 16h, na Cinelândia, no Rio de Janeiro. Haverá também manifestação no Museu da República, em Brasília, às 17h. Os protestos seguem em São Paulo, que amanhã (11) terá manifestação em defesa da Palestina. O ato ocorrerá às 18h, no Galpão do Armazém do Campo, na região central da capital paulista.

De acordo com os organizadores, as manifestações são uma resposta ao que classificam como “apartheid israelense”. “Nos mobilizamos por uma Paz justa: igualdade, liberdade e justiça andam juntas. O apartheid de Israel precisa ter fim, com a garantia da autodeterminação e todos os direitos dos palestinos e palestinas, entre eles o direito ao retorno, a desocupação dos territórios palestinos tomados, e a cidadania aos palestinos que vivem em territórios denominados por Israel”, destacou em suas redes o Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A mais recente disputa na região começou no último sábado (7), quando o Hamas, grupo armado islâmico que governa a Faixa de Gaza, surpreendeu Israel com um ataque. As ações se concentraram perto da fronteira, de onde o Hamas lançou 5 mil foguetes. Em resposta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou guerra ao território palestino. “O nosso inimigo pagará um preço que nunca conheceu”, afirmou. No mesmo dia, Israel iniciou um bombardeio em direção a Gaza.

Crimes de guerra contra os palestinos

Levantamento divulgado nesta terça pelo Escritório de Coordenação Humanitária da ONU (Ocha) mostrou que os ataques aéreos conduzidos por militares israelenses já atingiram 5,3 mil prédios e destruíram completamente 790 residências. O número de palestinos que tiveram que deixar suas casas também subiu, de 123 mil para 187 mil.

A entidade também alerta que a água potável pode acabar em poucos dias. Pelo menos 610 mil pessoas estão sem abastecimento de água ou saneamento desde que o governo Netanyahu decidiu interromper o fornecimento do bem e de eletricidade à Faixa de Gaza. Conforme reportou a RBA, o cerco “total” a Gaza, onde não entram mais alimentos ou medicamentos, também foi condenado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. A ONU também alertou sobre a morte de crianças em território palestino.

De acordo com as Nações Unidas, a ação de Israel pode ser considerada como uma “punição coletiva”, o que é proibido pelo direito internacional, uma vez que a estratégia não tem um objetivo militar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também indica que ao menos 13 centros de saúde foram atingidos no território palestino. Os ataques também destruíram nove ambulâncias e mataram seis trabalhadores da saúde. O estoque de remédios se esgotou e os centros de atendimento estão lotados.

Brasileiro morto em Israel

Os organismos internacionais temem que a ofensiva israelense contra Gaza, que tem 2,2 milhões e habitantes, abra uma crise humanitária de proporções inéditas na região que já vive um bloqueio por 16 anos. Historicamente, a escalada militar israelense é a principal arma usada contra a Palestina. O conflito é histórico e já resultou em inúmeros enfrentamentos armados e mortes.

Dessa vez, o ataque do Hamas a Israel provocou a morte de pelo menos 900 pessoas. Entre as vítimas, está o brasileiro Ranani Nidejelski Glazer, de 23 anos. Natural do Rio Grande do Sul, ele estava na festa rave atingida no sábado. A morte foi confirmada pelo governo brasileiro na manhã desta terça. Em nota, o Itamaraty manifestou pesar e reiterou “absoluto repúdio a todos os atos de violência, sobretudo contra civis”. Outros dois brasileiros seguem desaparecidos desde a eclosão do conflito, segundo o Ministério das Relações Exteriores. As identidades não foram reveladas.

Nos territórios palestinos, a estimativa é que outras 787 pessoas tenham morrido e 4,9 mil feridas pela ofensiva de Israel.

Solidariedade às vítimas

Além de manifestar solidariedade ao povo palestino, os atos nesta semana também propõem uma análise de conjunto da conflito no Oriente Médio. Em São Paulo, os manifestantes farão leitura de uma carta conjunta escrita por entidades, movimentos e organizações que se articulam no Brasil em apoio à Palestina.

Redação: Clara Assunção
Com informações da coluna de Jamil Chade no portal UOL


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