Professores entram em greve em São Paulo na 2ª

Professores lutam por reajuste salarial e estruturação da carreira (Foto: Danilo Verpa/Folha Imagem) São Paulo – Cerca de 10 mil professores da rede pública de ensino de São Paulo decidiram […]

Professores lutam por reajuste salarial e estruturação da carreira (Foto: Danilo Verpa/Folha Imagem)

São Paulo – Cerca de 10 mil professores da rede pública de ensino de São Paulo decidiram em assembleia, nesta sexta-feira (5), entrar em greve por tempo indeterminado. Os professores reivindicam reajuste salarial de 34,3%, suspensão da avaliação de mérito e das provas dos ACTs, concurso público, carreira justa e uma política de educação para o estado.

De acordo com a presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo), Maria Izabel Azevedo Noronha, a deflagração da greve foi inevitável diante das condições do ensino no estado. “Todo o estado está unido nesta decisão de greve. O descontentamento é geral diante da falta de uma política de educação que contemple salários dignos, uma carreira estruturada e condições de trabalho”, disse.

Para a professora Geni Xavier, de Ribeirão Pires, a decisão pela greve reflete anos de insatisfações. “Os professores vêm acumulando problemas e sofrendo desrespeito há muitos anos”, destaca. “A insatisfação não é só dos professores, pais e alunos também não aguentam mais”, afirma.

Carmen Urquiza, docente de Marília, informou que já nesta sexta, 80% das escolas estavam paradas para uma passeata pela cidade. “Ninguém aguenta mais. É um ataque em cima do outro”, lamenta. Em 24 anos de docência, ela pondera que “nunca foi tão ruim a situação da educação pública”, principalmente depois da progressão automática dos alunos.

Abandono

Para Marcelo Pereira de Souza, professor de São Paulo, o objetivo do governo estadual é terceirizar ou privatizar a educação. “O governo não negocia, não quer vínculo com o professor. Quer terceirizar a educação”, acredita. “Eles nos tratam como vagabundos. Só quem está na educação sabe o que acontece”, lamenta.

Carlos Ramiro de Castro, vice-presidente da CUT-SP e diretor da Apeoesp, segue no mesmo sentido. “Há 16 anos o governo de São Paulo vem sucateando o serviço público para entregá-lo à gestão de Organizações Sociais e para a iniciativa privada, como fez com a saúde”, analisa. “É uma política deliberada de abandono”.

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Isaura Deolinda Camargo D´Antonio, diretora de escola de Votuporanga, chegou para a assembleia decidida a votar por greve. “Discutimos em nossa cidade e nosso voto é pela greve de professores”, cita. “Temos 2 mil alunos, faltam funcionários, as salas estão superlotadas, falta material didático, desmontaram a biblioteca, acabaram com a sala de informática”, descreve.

“O pior é ouvir o governador dizer que está tudo ótimo. Essa história de dois professores de sala de aula, só existe em uma ou outra escola. Não é a realidade da rede”, denuncia Isaura.

Alexandre Tardelli Genesi, de Sorocaba, se disse revoltado com a propaganda do governo estadual sobre as escolas públicas e pede que o governador visite as escolas. “Gostaria que ele visitasse a gente. Não mandasse um marqueteiro para compor uma farsa”, condena.

Nova assembleia está marcada para o dia 12, no vão do Masp, na avenida Paulista, com concentração às 14 horas.

Conheça todas as reivindicações dos professores:

  • reajuste imediato de 34,3%;
  • incorporação de todas as gratificações e extensão aos aposentados, sem parcelamento;
  • contra o provão dos ACTs;
  • contra a avaliação de mérito;
  • pela revogação das leis 1093, 1094, 1097;
  • por um plano de carreira justo;
  • concurso público de caráter classificatório.

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