Contra o conhecimento

Em ‘luto’ pelo fechamento de cursos, comunidade da Unisinos organiza protesto

Universidade, que tem parceria com fabricante de armas instalada no município, alega motivo de ordem financeira

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São Paulo – Professores e estudante da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre, farão protesto (“Luto pela ciência”) amanhã à tarde contra o fechamento de vários cursos do Programa de Pós-Graduação (PPG). Segundo o estabelecimento, devem ser fechados 12 dos 26 cursos de mestrado e doutorado, com a demissão de aproximadamente 40 professores. A instituição alega questões financeiras.

Desde que a informação foi confirmada, na última sexta-feira (22), entidades, pesquisadores e alunos passaram a protestar nas redes sociais. A Associação Nacional de História (Anpuh), por exemplo, afirmou em nota que a decisão prejudica “diversos professores e pesquisadores, assim como estudantes e demais membros da comunidade universitária, trazendo perdas para todos os segmentos da instituição”. Além disso, “provoca danos irreparáveis à pesquisa e à produção do conhecimento científico em âmbito nacional”.

“Basta uma canetada”

A Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) também se manifestou. “Construir um programa deste porte – com tudo e todos que isso envolve – demora décadas. Para destruir, basta uma canetada”, afirma a entidade. Antropóloga e escritora, Rosana Pinheiro Machado afirmou no Twitter que é “devastador o que está acontecendo na Unisinos”. A universidade, privada, é ligada à Companhia de Jesus, da ordem jesuíta. Passou a funcionar em 31 de julho de 1969, dia de Santo Inácio de Loyola.

O tema dos jesuítas é “Ficar no mundo, servindo ao próximo, mesmo com a incerteza de se salvar”.

Em 2021, Unisinos fez parceria com a Taurus por ‘excelência operacional’
(Foto: divulgação)

“O contexto do ensino superior brasileiro mudou radicalmente ao longo dos últimos anos. Houve significativa redução do número de matrículas, resultado da crise econômica do país, da redução expressiva de financiamento público para o ensino superior e da pandemia”, diz a universidade, em nota. “Para promover o equilíbrio financeiro da instituição e sua preparação para crescer de forma sustentável nos próximos anos, a Unisinos está adotando algumas ações que envolvem o início do processo de desativação de uma parte de seus programas de pós-graduação. (…) A Unisinos mantém-se inabalável em seu propósito de oferecer educação superior de excelência.” Assim, a entidade deve desativar cursos de Arquitetura, Biologia, Ciências Contábeis, Ciências Sociais, Comunicação, Economia, Enfermagem, Engenharia Mecânica, Geologia, História, Linguística Aplicada e Psicologia.

Parceria com indústria de armas

Por outro lado, em 2021 a Unisinos firmou parceria com a fabricante de armas Taurus, que tem sede em São Leopoldo, para um projeto de “excelência operacional”, segundo a empresa. De acordo com a companhia, o objetivo é ” elevar os resultados da Taurus a outro patamar no que se refere a velocidade no atendimento ao cliente, capacidade operacional e avanço tecnológico, junto com outros projetos estratégicos e estruturantes em andamento”.

Também no ano passado, o CEO da Taurus, Salesio Nuhs, e o reitor da Universidade de Caxias do Sul, Evaldo Antonio Kuiava, receberam o presidente da República naquele município gaúcho. Ele recebeu um protótipo de arma (G3) feita de grafeno, material bidimensional.

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