mobilização e carreata

Professores de São Paulo em greve protestam contra a volta às aulas sem segurança

Grupo levou coroas de flores para a frente da prefeitura de São Paulo. Professores e outros trabalhadores da educação iniciaram greve hoje

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Professores colocaram coroas de flores em frente à prefeitura de São Paulo em protesto contra volta às aulas insegura

São Paulo – Em greve contra a insegurança da volta às aulas em meio à pandemia de covid-19, professores e outros trabalhadores da educação municipal de São Paulo realizaram hoje (10) uma “carreata pela vida” e colocaram coroas de flores em frente à prefeitura de São Paulo, em um ato batizado “luto por uma escola sem luto”. “As intenções desse retorno presencial não têm a ver com qualidade de ensino, da criança estar na escola, se alimentando. Há interesses obscuros por trás disso. Gostaria de saber se o secretário da educação, o prefeito e o governador de São Paulo tivessem filhos em escolas públicas, elas seriam reabertas?”, questionou o diretor do Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo (Aprofem), Paulo Soares da Rocha.

Os professores não aceitam a volta às aulas presenciais sem condições efetivas de segurança, ampla vacinação e controle da pandemia. Eles denunciam que as escolas não estão totalmente adaptadas para funcionamento dentro das condições que a pandemia de covid-19 exige. Muitas salas são mal ventiladas, há poucos banheiros nas escolas, os professores não receberam equipamentos de proteção individual suficientes. Além disso, a estrutura complementar para o ensino remoto, como a distribuição de tablets e a montagem de salas digitais, não foi concluída.

A greve dos professores é para reivindicar a manutenção do ensino remoto em todas as escolas, a distribuição dos tablets aos estudantes, prioridade na vacinação dos profissionais de educação, aquisição de mais vacinas com recursos que o governo municipal tem em caixa, testagem em massa para isolar o vírus e manter o controle da doença, equipamentos de proteção individual de qualidade e em quantidade suficiente e suporte social às famílias dos estudantes infantil ao ensino médio. Os professores da rede estadual de São Paulo também estão em greve.

Mobilização

A carreata foi realizada em frente à Secretaria Municipal da Educação, com buzinaço e faixas. Depois os professores em greve seguiram para o 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, onde registraram um Boletim de Ocorrência (BO) contra o governo do prefeito Bruno Covas (PSDB), por obrigar os professores a se colocar em uma situação de risco à saúde e à vida para garantir a volta às aulas presenciais.

“Estamos tratando também do constrangimento ilegal da prefeitura de São Paulo em exigir que os profissionais de educação arrisquem suas vidas nessa volta. Esse BO não é simbólico, ele tem o poder de abrir a discussão em outras instâncias, incluindo a abertura de um inquérito para apuração dos riscos à saúde não somente dos profissionais de educação, mas das crianças que frequentam escolas, das famílias. Portanto além do Tribunal de Justiça, queremos abrir outras possibilidades”, explicou o secretário de Trabalhadores da Educação do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep), Maciel Nascimento.

Hoje a Grande São Paulo tem média de 3.500 novos casos de covid-19 por dia e 90 mortes diárias. A taxa de ocupação de UTI é de 65,6%, com média de 695 novas internações por dia. A proposta do governo Covas é que as salas recebam até 35% dos estudantes nas primeiras semanas. Nos ensinos fundamental e médio, haverá rodízio de estudantes. Nas creches e pré-escolas, um grupo fixo vai frequentar as escolas todos os dias e será definido por critérios de vulnerabilidade social.


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