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Preços da cesta básica sobem até duas vezes mais que a inflação oficial

Tomate é destaque de queda em maio. Mas jornada necessária para comprar tudo aumentou em relação a 2021

Reprodução/Montagem RBA
Reprodução/Montagem RBA
Pãozinho, feijão e café subiram de preço, enquanto o do tomate caiu

São Paulo – Os preços médios da cesta básica caíram, em maio, em 14 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese. Mas sobem em todas as cidades no acumulado do ano, segundo os resultados divulgados nesta quarta-feira (8). E em 12 meses chegam a aumentar até duas vezes mais que a inflação.

As exceções no mês passado foram registradas em Belém (2,99%), Recife (2,26%) e Salvador (0,53%). As principais quedas foram apuradas pelo Dieese em Campo Grande (-7,30%), Brasília (-6,10%), Rio de Janeiro (-5,84%) e Belo Horizonte (-5,81%).

Salário mínimo

De janeiro a maio, a cesta aumenta de 5,47% (Vitória) a 13,56% (Curitiba), passando por 12,66% em São Paulo, onde está mais cara: R$ 777,93. A de menor valor é a de Aracaju (R$ 548,38). Em 12 meses, o preços sobem de 13,17% (novamente Vitória) a 23,94% (Recife), e 22,24% na capital paulista. A inflação oficial (IPCA) está em 12,13%. Amanhã (9), o IBGE divulga os resultados de maio.

Assim, com base na cesta mais cara, o Dieese calcula em R$ 6.535,40 o salário mínimo necessário para as despesas básicas de uma família de quatro pessoas. Isso corresponde a 5,39 vezes o mínimo oficial (R$ 1.212,00). Essa proporção foi de 5,57 vezes em abril e de 4,86 há um ano.

Quase 60% da renda

Ainda segundo o Dieese, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 120 horas e 52 minutos, menos do que em abril (124 horas e 8 minutos). E bem mais do que em maio de 2021 (111 horas e 37 minutos). Quem ganha salário mínimo comprometeu, em média, 59,39% do rendimento líquido para comprar os produtos da cesta – 61% em abril e 54,84% um ano atrás.

O preço do quilo do pão francês subiu em todas as cidades pelo segundo mês seguido. A farinha de trigo, pesquisada no Centro-Sul, também teve alta. “A baixa disponibilidade interna do grão, a menor produção de trigo na Argentina e na Ucrânia e a preocupação com a menor oferta mundial resultaram em aumento dos preços, com repasse para a farinha e o pão francês”, diz o Dieese.

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O leite integral também teve aumento nas 17 capitais. “O crescimento da exportação, a queda nas importações e a entressafra reduziram a quantidade de leite disponível e influenciaram a valorização dos derivados lácteos, como o queijo muçarela e o leite UHT”, informa o instituto. A farinha de mandioca (Norte/Nordeste) também aumentou, assim como o quilo do café. O preço do feijão subiu em 12 capitais. Já o do tomate só não caiu em Belém. Chegou a ter redução de 40,04% em Campo Grande e 37,77% no Rio. “A maior oferta do fruto deve-se ao avanço da safra de inverno e à rápida maturação.”


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