Ato de coragem

Núcleo Retomadas prepara livro sobre conteúdo vetado no Masp sobre o MST

Núcleo Retomadas encerra nesta quarta campanha de arrecadação para produzir o livro “Retomadas: o debate”, sobre fotos e documentos históricos MST e o veto do Masp de bloquear essa história

André Vilaron
André Vilaron
Foto de André Vilaron de integrantes do MST. Um dos alvos do veto do Masp

São Paulo – O Núcleo Retomadas trabalha em um livro sobre o veto do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) a fotos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) na exposição “Histórias Brasileiras”. Por fim, a instituição recuou. Contudo, o grupo, que reúne artistas e curadores do Masp, contará a história que envolve toda essa situação.

Entre os temas abordados, o enfrentamento e o debate público que envolveu a exposição, que ficou em cartaz até o dia 30 de outubro. As curadoras do Núcleo, Sandra Benites e Clarissa Diniz, optaram por tornar pública toda a trajetória empenhada a partir deste episódio emblemático da história das artes brasileiras. Para isso está no ar uma campanha de financiamento coletivo, que termina nesta quarta-feira (9). Até o fechamento desta reportagem, na noite de ontem, a arrecadação chegava a R$ 70 mil. A meta é R$ 100 mil.

A previsão é de que o livro seja publicado em julho de 2023. Aqueles que contribuem com a edição da obra são recompensados com obras de arte, artigos do MST e, inclusive, o próprio livro. A editora Expressão Popular, vinculada ao MST, será responsável pela edição. “Ela se soma a uma série de iniciativas que dão amplitude aos ecos que não foram abafados pela institucionalidade, e acabaram aprofundando o debate da arte e sobre o engajamento que se trás com ela”, afirmam os organizadores.

“Além de ampla documentação sobre a trajetória do núcleo Retomadas no MASP, a publicação irá comissionar textos e ensaios visuais inéditos que desdobrem e aprofundem alguns dos temas centrais ao debate: lutas sociais, museus, representatividade, memória e acervos dos movimentos sociais, ética e violência institucional, neoliberalismo e política culturaI”, completam.

‘Ato de coragem’

A curadora Sandra Benites argumenta que o episódio tem relevância especial, pois “não é só a memória do passado, mas do futuro. A sociedade Juruá [branca], não indígena não entende isso, principalmente as instituições”. Sandra afirma que foi preciso coragem para derrubar o veto às obras. “Aceitar a exclusão das imagens das retomadas em nome da permanência do núcleo nos levaria a ser desleais com os sujeitos e movimentos envolvidos na nossa curadoria (…) A gente vem combatendo esse silenciamento, enquanto corpo racializado, como mulher, indígena. Me vi enquanto uma mulher silenciada e isso levou a gente a tomar coragem”.



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