Massacre

Carandiru: militares dizem que Alckmin é ‘desleal’ e ‘joga para a plateia’

Governo coloca integrantes da Rota na geladeira às vésperas de julgamento, enquanto outros já condenados são mantidos na ativa

Marcelo Camargo Jr/ABr

Fontes próximas ao alto escalão da polícia paulista consideram a medida de Alckmin “demagógica”

São Paulo – Começaram há pouco os depoimentos de cinco oficiais militares acusados de participação efetiva no massacre do Carandiru: capitão Valter Alves Mendonça, tenente-coronel Carlos Alberto dos Santos, tenente-coronel Modesto Salvador Madia, major Marcelo Gonzales Marques e o tenente Edson Pereira Campos. Será a única oportunidade de os depoentes apresentarem versões dos fatos em sua defesa. Ao todo, 23 policiais estão sendo julgados por 73 das 111 mortes oficialmente registradas em 2 de outubro de 1992. Mendonça é o primeiro a depor.

Nos bastidores, circula um sentimento de indignação em relação à decisão do governo do estado de retirar cinco dos oficiais da Rota que ainda estão em atividade no agrupamento e colocá-los numa espécie de “geladeira”, em funções administrativas. A medida, tomada na sexta-feira, foi considerada “demagógica”, “gesto de traição”, “prejulgamento” e “deslealdade” por fontes próximas ao alto escalão da polícia paulista.

Essas fontes criticaram o governador Geraldo Alckmin por “jogar para a plateia”, diante do fato de as atenções da opinião pública terem recaído predominantemente sobre integrantes da Rota – enquanto ainda estão na ativa outros nove já condenados no julgamento de abril.

Foram afastados o tenente-coronel Madia, comandante do 4º Batalhão do Choque, o major Gonzales, subcomandante da Rota, o sargento Marcos Lopes e os cabos Alex Morello Fernandes e Mauro Gomes de Oliveira.

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