uso consciente

Cantareira opera no menor nível para dezembro dos últimos seis anos

Sistema Cantareira opera com 24,9% de sua capacidade, segundo boletim da Sabesp. Companhia reforça necessidade de uso consciente da água

Fernanda Carvalho/Fotos Públicas (7/2014)
Fernanda Carvalho/Fotos Públicas (7/2014)
Cantareira, que abastece de água 46% da população da Região Metropolitana de São Paulo, se aproxima de crise comparável à de 2014

O nível do Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo, é o mais baixo dos últimos seis anos para um mês de dezembro. Hoje (27), o sistema opera com 24,9% de sua capacidade, de acordo com o boletim informativo da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O Cantareira abastece 46% da população da Região Metropolitana.

A média histórica de chuvas em dezembro no manancial é de 207,6 milímetros, segundo a Sabesp. Mas, neste mês, só houve a precipitação de 89,3 mm. Nestes últimos seis anos, o menor volume para o mês de dezembro registrado no Cantareira havia ocorrido em 2015, quando sistema precisou operar abaixo de sua capacidade e utilizar a reserva técnica, chamada de volume morto. Desde então, a maior capacidade observada no sistema para um dia 27 de dezembro ocorreu em 2016, quando o Cantareira registrou o volume de 46,1% , quase o dobro do que foi marcado hoje. 

Em dezembro de 2013, poucos meses antes do estado de São Paulo enfrentar a sua maior crise de abastecimento, o sistema Cantareira operava com 27,9% de sua capacidade, pouco acima do registrado hoje. Por isso, a atual situação do manancial preocupa especialistas, que preveem uma nova crise de abastecimento no estado. A Sabesp nega.

Abastecimento

Por meio de nota, a companhia informou que não há risco de desabastecimento para a Região Metropolitana de São Paulo neste momento. Mas reforçou que há necessidade de que as pessoas façam um uso consciente da água.

A região metropolitana de São Paulo é composta por sete mananciais. Com isso, é possível a transferência de água entre eles, conforme a necessidade operacional. “Um conjunto de medidas vem sendo adotado para a segurança hídrica e preservação dos mananciais em momentos como o atual”, informou a companhia, em nota. “Integração do sistema (com transferências de água rotineiras entre regiões), ampliação da infraestrutura e gestão da pressão noturna para maior redução de perdas na rede.”

Apesar de estarem hoje em situação melhor que o Cantareira, os demais sistemas registram capacidade menor do que em 2013, maior crise hídrica do estado. O volume do Alto Tietê está atualmente em 40% e o do Guarapiranga em 56%. No Cotia está em 35,9%, enquanto no Rio Grande em 82,9%, Rio Claro em 46,6% e São Lourenço em 75,7%. Em 2013, para comparar, o volume do Sistema Rio Claro estava acima de 100%  e o de Cotia, acima de 75%.

Níveis

A captação de água do Sistema Cantareira considera o nível de armazenamento de água do manancial observada no último dia de cada mês. Uma resolução conjunta da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), de 2017, estabelece que a Sabesp deve seguir cinco níveis de avaliação.

São eles: normal, quando o nível do reservatório é igual ou maior que 60%; atenção, quando é igual ou maior que 40% e menor que 60%; alerta, quando está maior que 30% e menor que 40%; restrição, quando é maior que 20% e menor que 30%; e especial, quando o volume acumulado é menor que 20%. As faixas orientam os limites de retirada de água do sistema.

Como no dia 30 de novembro o sistema estava com 25,97% de sua capacidade total, ele está operando atualmente na fase de restrição. Essa fase que deve ser mantida caso em 31 de dezembro seja anotado volume entre 20% e 30%.

Para evitar o desperdício de água, a Sabesp criou o site Eu Cuido da Água, com dicas para o consumidor. Entre as medidas que podem evitar o desperdício,estão o ato de ensaboar a louça toda a louça antes de enxaguá-la; tomar banhos mais curtos e evitar a lavagem de veículos.

Com informações da Agência Brasil


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