Alerta

Estudo mostra que parada para manutenção na Repar pode custar uma vida por dia

Universidades indicam que ação da Petrobras traz riscos a todo o Paraná e pedem que revisão só ocorra com 70% da população de Araucária vacinada

Juce Lopes/Sindipetro-PR/SC
Petroleiros deflagaram greve sanitária no dia 12 de abril

São Paulo – A parada para manutenção na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, em meio à pandemia da covid-19 pode custar pelo menos uma vida por dia. A projeção está registrada em nota técnica assinada pelas universidades federais de Minas Gerais (UFMG), Amazonas (UFAM) e São João del-Rei (UFSJ), além do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Na última segunda-feira (12), os petroleiros iniciaram greve para resistir à intenção da direção da Petrobras, que insiste em manter a parada conforme programada. “O modelo aponta que o fluxo de pessoas que se estima receber de outros estados e municípios em Araucária (…) tende a propiciar maior circulação viral, que resultará na média de cerca de uma morte por dia até o final de julho, sendo que para todo o mês de junho, pode-se esperar pelo menos 35 mortes”, projeta o documento. A Repar fica na cidade paranaense de Araucária, na região metropolitana de Curitiba.

De acordo com o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) do Paraná e Santa Catarina, a manutenção acrescentaria cerca de 2 mil trabalhadores, sendo metade de outras regiões do país, à rotina diária da Repar. A refinaria já conta com 1,7 mil funcionários regulares. Além disso, causaria aglomerações com cerca de 20 a 30 pessoas dentro de equipamentos de pequeno porte. Essa parada para revisão é realizada a cada dois ou três anos e, ainda segundo o Sindipetro, hoje não há nada crítico que precise ser mexido com urgência.

Análise de risco

A nota técnica adota o modelo de análise conhecido como Seir (Susceptíveis – Expostos – Infectados – Recuperados). No caso de Araucária, foram utilizados dados e taxas de imunização da população até a 13ª semana epidemiológica de 2021. Os autores afirmam que o modelo ajudou Curitiba a evitar que a terceira onda da covid-19 atingisse uma proporção quatro vezes maior que a primeira e segunda, resultando em 1,5 mil vidas salvas. “Locais que ignoraram análises de risco de projeções do modelo Seir, a exemplo a capital do estado do Amazonas, Manaus, vivenciaram uma nova onda de covid-19 com colapso do sistema de saúde sem precedentes”.

Outra preocupação é que a aglomeração que a manutenção na Repar causaria teria potencial para introduzir novas variantes do coronavírus ainda não registrados no Paraná. Seria, portanto, um risco potencial para todo o estado. “Desta forma, recomenda-se que a parada de manutenção seja postergada até a imunização via vacina de 70% de toda a população de Araucária, no limiar de imunidade de rebanho”.

Greve na Bahia

Além da greve na Repar, os petroleiros pararam na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), localizada na Bahia. O motivo, neste caso, é venda da refinaria por um preço abaixo do valor de mercado. O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, foi suspenso por 29 dias pela direção da Petrobras após participar de atividade da mobilização. Na quarta-feira (14), foi realizado ato virtual em solidariedade ao dirigente.