Pandemia

Sindicato aponta surto de covid na Petrobras, que cita ‘procedimentos robustos’

Sindipetro-SP fala em 1.605 casos em dois meses. Empresa diz que há 223 confirmados em acompanhamento, além de 57 assintomáticos

FLÁVIO EMANUEL / AGÊNCIA PETROBRAS
Petroleiros afirmam que nos últimos dois meses o número de casos de covid-19 na empresa foi maior que o dos quatro primeiros de pandemia

São Paulo – Levantamento do Sindicato dos Petroleiros Unificado de São Paulo (Sindipetro-SP) aponta “um surto de covid-19” na Petrobras. De acordo com a entidade, em um período de dois meses, de 3 de novembro até o último dia 4, foram registrados 1.605 novos casos de infecção pelo novo coronavírus. O sindicato cita como fonte boletins de monitoramento do Ministério de Minas e Energia.

“O número é maior do que a soma dos quatro primeiros meses da pandemia no Brasil”, diz ainda o Sindipetro-SP. “Entre 26 de fevereiro – data da confirmação do primeiro caso da doença no país – e 29 de junho, foram confirmados 1547 trabalhadores da estatal contaminados”, acrescenta.

Relação com o trabalho

Assim, no total, o total de infectados pela covid-19 na Petrobras chegaria a 4.030. O número corresponde a 8,7% dos funcionários próprios da empresa (46.416). Proporção acima da registrada no país – 3,7% de contaminados em um universo de 212 milhões de habitantes.

“Essa alta concentração de casos já havia sido apontada em parecer científico elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em outubro”, diz o texto assinado por Guilherme Weimann e publicado no site do sindicato. Segundo ele, o documento mostrou que o “diagnóstico da covid-19 em petroleiros é presumidamente relacionado ao trabalho”. Os casos de coronavírus na empresa equivaliam a 4.448 para cada 100 mil pessoas, “incidência maior que o dobro da verificada na população brasileira, que era de cerca de 2 mil casos”.

Aumento acelerado

De acordo com a reportagem, desde novembro sindicatos da categoria vêm denunciando “aumento acelerado” de contaminações. Principalmente, apontam, em plataformas de exploração e produção de petróleo. “Nelas, tem vigorado durante a pandemia uma jornada de sete dias de isolamento, 21 dias de embarcação em alto mar e 14 dias de descanso.”

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reúne 13 sindicatos, vinha cobrando a divulgação do número total de contaminados pela covid-19 na Petrobras, incluindo terceirizados. No entanto, segundo a entidade, isso aconteceu apenas em boletim de monitoramento de 4 de maio. “Quando 1037 petroleiros já tinham sido contaminados e outros 1642 estavam sob suspeita, de um total de 151.539 empregados, entre próprios e terceirizados.”

Quadro “mais preciso”

Por meio da assessoria, a Petrobras afirmou que atualmente (até a última quarta-feira, dia 6) tem 223 casos confirmados de covid-19 em acompanhamento, dentre seus cerca de 45 mil empregados”. Segundo a companhia, outros 57 “testaram positivo no processo de triagem, estando assintomáticos”.

A empresa afirma adotar “procedimentos robustos em todas as suas unidades desde o início da pandemia”. Nas plataformas, por exemplo, o monitoramento é feito desde 14 dias antes do embarque, quando todos são testados. Até agora, segundo a Petrobras, foram realizados mais de 450 mil testes, o que permite um quadro “mais preciso do que o da sociedade em geral”.


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