Conflito

Eduardo Paes já enfrenta trabalhadores da educação e da saúde no Rio

Sem garantia de salários pelo novo prefeito Eduardo Paes, trabalhadores estão em estado de alerta e podem entrar em greve

Tomaz Silva / ABr
Paes: sem dinheiro em caixa para pagar os salários de dezembro e o restante do 13º dos servidores municipais até esta sexta-feira

Rio de Janeiro – Sai Marcelo Crivella (Republicanos), entra Eduardo Paes (DEM), mas a peleja entre a prefeitura do Rio de Janeiro e as entidades representativas das principais categorias de trabalhadores do funcionalismo público continua dura. Desde que o secretário de Fazenda e Planejamento, Pedro Paulo Carvalho, anunciou que não há dinheiro em caixa para pagar os salários de dezembro e o restante do 13º dos servidores municipais até esta sexta-feira (8), quinto dia útil do mês, trabalhadores na educação e na saúde estão em estado de alerta e podem voltar a deflagrar greves iniciadas no último ano de gestão de Crivella, que atualmente se encontra em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Homem forte do novo governo, Pedro Paulo anunciou também que a prefeitura aumentará a alíquota previdenciária do salário dos servidores dos atuais 11% para 14%, o que contraria uma promessa feita por Paes durante a campanha. A novidade desagradou em cheio o Movimento Unificado dos Servidores Públicos Municipais. O colegiado de entidades jea marcou um ato simbólico para as 10h desta sexta-feira (9) em frente à prefeitura. E se reunirá nos próximos dias para definir uma agenda de lutas. Em entrevista à imprensa, o secretário falou em “engenharia financeira” para honrar o pagamento, culpou a “gestão de caixa irresponsável” da gestão anterior pelo atual estado de coisas e citou a pandemia para pedir “compreensão” aos servidores.

Bolso do servidor

O pedido não foi bem recebido. “A conta da crise da prefeitura não pode acabar no bolso do servidor. Professores e funcionários da educação, assim como todo o funcionalismo municipal, estão há mais de dois anos sem reajuste salarial. Tivemos perda em nossas remunerações durante o período de pandemia e não aceitaremos o pedido de compreensão da nova prefeitura por um motivo muito simples: todos nós vivemos dos nossos salários! Não temos como esperar a resolução de algo que não pode ser computado na nossa conta”, afirma a coordenadora-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe-RJ), Izabel Costa.

O último ano da gestão Crivella foi marcado por um intenso embate com os profissionais da educação. Estes mantiveram meses de greve “em defesa da vida” e contra o negacionismo do ex-prefeito e suas tentativas de reabrir as escolas em plena pandemia de covid-19. Já a gestão Paes, por conta de seu discurso de arrocho, corre o risco de enfrentar novas mobilizações mesmo mal tendo começado.

“É muito ruim que a prefeitura não garanta os pagamentos. Ficamos muito preocupados porque as falas iniciais do governo Paes contradizem os compromissos que eles assumiram durante a campanha. Falam em aumento da alíquota previdenciária, que significa a diminuição de nossos salários porque, caso isso seja aprovado, seremos descontados em mais 3%. Não vamos aceitar o pacote de arrocho fiscal porque a conta a ser paga não pertence aos servidores públicos municipais”, diz Izabel.

Técnicos de Enfermagem

A falta de garantia para o pagamento dos salários também poderá provocar novas greves no setor de saúde. O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem tem assembleia virtual marcada para a próxima segunda-feira (11). Dois dias antes, será realizada assembleia específica dos servidores contratados pela empresa RioSaúde, responsável pela gestão de diversos hospitais, que ainda não receberam sequer os salários de novembro. “Teremos nossas assembleias para que a categoria tome sua decisão. Mas, nas discussões já realizadas, os profissionais se recusam a aceitar qualquer tipo de parcelamento, seja do 13º, seja do pagamento do mês”, afirma a presidenta do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Rio (Satem-RJ), Miriam Lopes.

A sindicalista aponta o “quadro lamentável” vivido pela categoria no Rio de Janeiro. “Os profissionais de saúde estão atuando na ponta com uma grande demanda de pacientes, sem condições de trabalho, sem recursos humanos e ainda com os cuidados a serem feitos por conta da covid-19. Houve um desrespeito total da parte do ex-prefeito Crivella. Agora, nossa negociação será com a prefeitura atual. Exigimos respeito”, diz Miriam.

Trabalhar de graça

O Sepe-RJ solicitou reuniões com Pedro Paulo, com o novo presidente da Câmara, Carlo Caiado (DEM), e com o secretário de Educação, Renan Ferreirinha. “Desde ontem (terça-feira, 5) nós tivemos alguns professores e funcionários que não estão de férias convocados para o trabalho presencial. Pois bem, esses não têm o salário de dezembro, não receberam o 13º, não receberam auxílio-refeição, não receberam auxílio-transporte. Ou seja, o que a prefeitura está dizendo é que as pessoas terão que trabalhar de graça”, denuncia Izabel Costa.

“Durante todo esse período de pandemia, os professores têm arcado com os seus custos de luz, de internet e inclusive de materiais para que possam realizar suas atividades on-line. Tivemos perdas e simplesmente não aceitaremos trabalhar sem a nossa remuneração, que é o que de fato está acontecendo agora. No caso dos profissionais da Educação que estão em férias, o pagamento do 13º é um direito garantido por lei. Isso não é uma novidade. É previsto por lei e deveria estar orçado desde o ano anterior. Assim como nosso direito de gozar as férias e ter um terço do salário garantido”, completa a dirigente sindical.

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