paralisação

Desmontado por Bolsonaro, Banco do Brasil seria estratégico durante a pandemia

O governo de Jair Bolsonaro ignora a potência do Banco do Brasil e amplia o desmonte da instituição pública, com o fechamento de agências e demissões. Trabalhadores fazem paralisação de 24h nesta sexta-feira

Valter Campanato/ABr
Nas próximas semanas, serão demitidos 5 mil funcionários e a direção atual vai desativar 361 unidades

São Paulo – O governo de Jair Bolsonaro ignora a potência do Banco do Brasil e amplia o desmonte da instituição pública. O plano da atual direção do banco é cortar 5 mil funcionários até o início de fevereiro – por meio da adesão a um plano de demissão “voluntária”. E ainda desativar 361 unidades, entre as quais 112 agências e 242 postos de atendimento. Em protesto a essa política de desmonte, e com objetivo de alertar para o potencial do papel social do BB, trabalhadores organizam uma paralisação para esta sexta-feira (29). O coordenador Nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, João Fukunaga, também dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, afirma que Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, ignoram a capacidade do banco público em colaborar com o enfrentamento da crise da pandemia de covid-19.


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O sindicalista, em entrevista ao Jornal Brasil Atual desta quinta-feira, lembra que, atualmente, o Banco do Brasil é responsável por financiar 55% da agricultura familiar. “Ano passado, o Banco do Brasil emprestou R$ 6,9 bilhões para o Pronampe, ajudando 110 mil pequenas empresas. O governo Bolsonaro tem sinalizado com um auxílio para os bares, mas o banco poderia atuar junto a esses pequenos empresários, durante a pandemia. Não há uma política federal que faça os bancos públicos atuarem estrategicamente”, criticou Fukunaga.

Os trabalhadores do Banco do Brasil irão paralisar todas as agências bancárias, mas sem realização de piquetes, por conta da pandemia. “A gente fez uma mobilização digital, no dia 21, e vamos parar por 24 horas, na próxima sexta, expondo a indignação do funcionário ao banco. A mobilização fechará a agência por um dia para evitar que essa mesma agência feche definitivamente”, defende Fukunaga.

Além do prejuízo ao público, o dirigente afirma que os cortes também não se justificam, considerando o balanço financeiro da instituição. Em 2020, por exemplo, o banco registrou lucro líquido de R$ 17 bilhões, com crescimento de 122% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, a base de clientes também cresceu, atingindo a marca de 73 milhões. Contudo, nos últimos cinco anos, entre o início de 2016 e setembro de 2020, o BB já eliminou mais de 17 mil postos de trabalho, fechando 1.058 agências.


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