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PIX, bancos e emprego bancário: livro retrata mudanças da era digital

Obra lançada pelo Sindicato dos Bancários do ABC analisa os impactos dessas transformações; estudo fundamental para os trabalhadores da categoria e toda a sociedade

Pixabay
Segurança dos dados na utilização do PIX é algo ainda muito complicado. Sem falar no roubo de celulares

São Paulo – Uma das profissões que mais tem sofrido impactos dos avanços tecnológicos é a dos bancários. A categoria, que reunia mais de um milhão de trabalhadores na década de 1980, hoje não passa dos 450 mil empregados em todo o Brasil. O número de instituições financeiras também desabou: de 230 nos anos 1990 para cerca de 160 na atualidade. Empresas como fintechs e outras startups, além das terceirizadas, fazem o serviço bancário sem dar aos trabalhadores o devido reconhecimento aos direitos conquistados pela categoria. Os bancários mantêm, desde 1992, uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) nacional com mais de 70 cláusulas válidas para os empregados de bancos públicos e privados em todo o Brasil.

Uma histórica campanha dos bancários em ano de pandemia

Para retratar essas mudanças e os impactos dessas transformações para os trabalhadores e toda a sociedade, o Sindicato dos Bancários do ABC lança neste sábado (12) o livro A Era Digital e o Trabalho Bancário: O papel do sistema financeiro e subsídios à ação sindical e às políticas públicas. O evento será on-line, por live nas redes sociais do sindicato (Facebook e Instagram: @bancariosabc), e contará com a participação do economista Ladislau Dowbor, além dos mais de 30 autores que assinam artigos na publicação.

Para o presidente do sindicato, Belmiro Moreira, o livro tem uma importância enorme ao analisar os impactos dessas transformações, sejam positivos ou negativos. “As mudanças no setor foram aceleradas principalmente com a revolução tecnológica, com a internet e o mundo virtual. O sistema financeiro está sendo o principal palco dessa diversidade tecnológica e digital”, avalia o bancário.

A chegada do PIX

O presidente do Sindicato dos Bancários do ABC assina, com a economista Ana Carolina Tosetti Davanço, um capítulo dedicado ao mais novo sistema de pagamentos brasileiro, o PIX. Lançado em novembro, o objetivo alegado pelo Banco Central é o de facilitar pagamentos e transferências bancárias de forma rápida e sem custos. Tudo instantâneo, via smartphone.

Belmiro explica que para ter acesso a essa ferramenta é preciso ter conta corrente, poupança ou carteira digital. “Isso tem gerado uma verdadeira guerra entre os bancos tradicionais e as fintechs que têm maior facilidade de gerar novas soluções para a bancarização das pessoas.”

O sindicalista, no entanto, alerta. “Bancarização de fato se dá através da redução de tarifas, das taxas de juros reais, da desburocratização de exigências cadastrais, e de programas de transferência de renda como por exemplo o Bolsa Família.”

Se os bancos podem perder com a chegada do PIX, a avaliação de Ana Carolina Tossetti é de que não. “Os bancos não vão pode cobrar pelo PIX, mas vão economizar bastante com transporte de valores, segurança, caixas eletrônicos de saques. Terão benefício com a redução da circulação do número de dinheiro, com os serviços terceirizados. É mais ou menos equivalente o que vão ganhar”, considera a economista.

“Os bancos até podem ter uma redução na receita de tarifas por causa do PIX, mais ter perda, não. Podemos citar as tarifas abusivas do cheque especial, as cestas de abertura de conta, as taxas para utilização de cartões de débito, o fechamento de unidades físicas, a redução do número de trabalhadores bancários”, avalia Belmiro. Além disso no longo prazo ganha com a redução da circulação de numerário e o uso de carro de transporte de valores.”

PIX é seguro?

Para Ana Carolina, a questão da segurança na utilização do PIX é uma coisa ainda muito complicada. Sem falar no roubo de celulares. Essa vai ser uma grande questão para o BC. Ninguém sabe que tipo de fraude pode acontecer. É um sistema instantâneo”, reforça.

“Essa é a maior preocupação do uso do PIX, que junto com o Open Banking irá colocar à disposição do mundo virtual dados cadastrais de milhares de clientes e usuários”, reforça Belmiro. “O sistema bancário brasileiro é super avançado em tecnologia digital, mas mesmo assim a segurança de dados é algo que precisa ser mais cuidado por parte dos bancos”, ressalta ele, mencionando recorrentes fraudes e golpes dos quais são vítimas os clientes bancários diariamente. “Além disso, a velocidade de implantação do PIX pelo Banco Central levanta essa preocupação por parte dos bancos, o que também deve ser considerado pelos clientes.”

O livro

O livro A Era Digital e o Trabalho Bancário: O papel do sistema financeiro e subsídios à ação sindical e às políticas públicas é uma publicação das editoras Didakt e Coopacesso. Interessados em adquirir a publicação podem fazê-lo pela loja virtual. Em 5 de dezembro ocorreu o pré-lançamento da obra durante roda de conversa promovida pela 3ª Feira Literária de Santo André (Felisa). A versão on-line do livro encontra-se disponível para consulta
Com especialistas dos mais variados campos do conhecimento, a obra de 465 páginas traz também reflexões para a ação sindical e trata do papel do sistema financeiro com controle social. “Debate, ainda, ações no campo das políticas públicas com o objetivo de gerar um outro país mais inclusivo com geração de emprego e distribuição de renda. O livro tem esse objetivo e faz essa reflexão”, diz Belmiro.

“A situação da categoria e o impacto das transformações tecnológicas no emprego bancário é uma das nossas maiores preocupações. Fechamento de agências físicas, redução dos postos de trabalho, terceirização das atividades, utilização de mecanismos da reforma trabalhista contratando trabalhadores PJ sem a proteção da CCT da categoria. Tudo isso tem impacto direto no emprego bancário”, ressalta Belmiro. “Os bancos fecharam mais de 10 mil postos de trabalho nos últimos doze meses. Durante a pandemia foram mais de 5 mil demissões. Soma se a isso toda a tecnologia que deveria ser usada para o bem das pessoas, mais que cria ainda mais ameaça aos empregos formais.”