Descaso

INSS volta a exigir perícia para auxílio-doença, mesmo com a pandemia

No interior, com agências do INSS ainda fechadas, trabalhadores têm que se deslocar até cidades vizinhas para fazer a perícia, aumentando o risco de contágio

Reprodução/TVT
Obrigatoriedade da perícia havia sido suspensa em maio

São Paulo – Mesmo diante do aumento no número de casos de covid-19 no Brasil, o governo Bolsonaro voltou a exigir, desde a última segunda-feira (30), perícia médica para conceder a antecipação do auxílio doença. As perícias, chamadas agora de auxílio por incapacidade temporária, haviam sido suspensas em maio, no começo da pandemia.

Contudo, em muitas cidades do interior as agências do INSS ainda não foram reabertas, já que os médicos peritos também resistem em voltar à função presencial. Com isso, muitos trabalhadores têm que se deslocar até a cidade mais próxima para garantir o benefício, aumentando o risco de se contaminar.

Por outro lado, com a antecipação no valor de R$ 1.045,00, os rendimentos dos 1,2 milhões de trabalhadores que receberam o auxílio-doença durante a pandemia tiveram queda de 40%, segundo o especialista em Previdência Social Remígio Todeschini.

Além disso, com a obrigatoriedade da perícia, até mesmo aqueles que têm direito à aposentaria por invalidez, devido a acidentes no trabalho, estão tendo os pedidos negados. O especialista destacou, ainda, que entre abril e setembro deste ano foram aproximadamente 100 mil registros a menos, na comparação com o mesmo período do ano passado.

“Esses trabalhadores perderam de mil a 3 mil reais, essenciais para sobrevivência, a manutenção da família, o tratamento médico e a compra de remédio. Isso é uma absurdo. É um crime”, afirmou o especialista em entrevista ao repórter André Gianocari, para o Seu Jornal, da TVT, nesta quinta-feira (3).

Auxílio-doença no sindicato

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) avalia o atual cenário desfavorável para retomar a perícia médica, pois essa exigência, por vezes, obriga o trabalhador doente a se deslocar por quilômetros. A secretária de Políticas Sociais da Contag, Edjane Rodrigues, orienta que o trabalhador procure o sindicato da sua categoria. Esses órgãos poderão orientar sobre a documentação necessária e indicar a agência mais próxima do INSS.

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