#ItaúNãoDemitaMeusPais

Bancários protestam contra demissões no Itaú durante pandemia

Cerca de 400 funcionários foram demitidos pelo banco; sindicato promove ‘tuitaço’

Reprodução
Itaú justifica demissões por "baixa performance" dos funcionários. Entretanto, trabalhadores desmentem o banco

São Paulo – O banco Itaú quebrou o acordo com o movimento sindical e começou um processo de demissões em plena pandemia do coronavírus, após lucrar R$ 8 bilhões no primeiro semestre de 2020. Para protestar, bancários promovem um “tuitaço” com a hashtag #ItaúNãoDemitaMeusPais nas redes sociais.

De acordo com o banco, que acordou não demitir funcionários durante a crise de covid-19, as dispensas ocorrem por “baixa performance” dos funcionários. Entretanto, trabalhadores desmentem a versão do Itaú.

“Eu tinha performance ótima e um excelente relacionamento, e fui desligado alegando comportamento e não possuir mais o perfil do banco. O coordenador que realizou nossos desligamentos é campeão de reclamações de conduta e postura na área e o que mais realiza demissões”, relata um dos trabalhadores demitidos.

No Itaú, foram cerca de 400 demissões, principalmente no setor de Veículos. “Depois que a gente fechou a campanha nacional dos bancários, o Itaú começou a demitir. O banco doou R$ 1 bilhão na pandemia, mas demite. Isso era só marketing? Como fica sua imagem sabendo que a marca Itaú é a mais valiosa do país e está demitindo?”, questiona a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

Demissões

Não é só o Itaú que segue desrespeitando acordos. O Santander é o banco que mais demitiu ao longo da pandemia. Desde maio, foram cerca de mil bancários dispensados. De acordo com a Contraf, não há justificativa econômica para as dispensas realizadas.

A dirigente sindical e bancária do Itaú Valeska Pincovai afirma que as demissões evidenciam dois problemas graves: o descaso da direção do Itaú e a perseguição de gestores. “Eles não se importam em mandar para a rua centenas trabalhadores em meio a uma crise gravíssima que mantém 13 milhões de pessoas desempregadas, mas que não deixou o banco sequer perto de ter prejuízo – pelo contrário, continua obtendo lucros astronômicos.”

A bancária convoca os bancários a se manifestarem nas redes sociais contra as demissões. “É importante que o maior número de pessoas participem destas mobilizações virtuais, porque os bancos são extremamente sensíveis com a própria imagem, e temos de expor para a sociedade a conduta desumana destas instituições financeiras”, finalizou Valeska.