Presente e futuro

Volks: metalúrgico aprova proposta no ABC. Taubaté decide amanhã, votação segue no Paraná

Acordo prevê programa de demissões voluntárias e garantia no emprego por cinco anos para quem permanecer

Adonis Guerra/SMABC
'Vivemos um momento de incerteza em relação ao futuro econômico. Nesse cenário, um acordo que garante estabilidade por cinco anos é muito positivo', diz Wagnão

São Paulo – Metalúrgicos da Volkswagen em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, aprovaram na tarde desta terça-feira (15) proposta que inclui plano de demissões voluntárias (PDV) e garantia de emprego para quem permanecer. O acordo, válido por cinco anos, inclui ainda lay-off, congelamento de reajuste e nova tabela salarial, entre outros itens.

“Vivemos um momento de incerteza em relação ao futuro econômico do país. Nesse cenário, um acordo que garante estabilidade por cinco anos é muito positivo, inclusive tornando-se referência para o movimento sindical em relação às possibilidades de conquista da classe trabalhadora”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão. Segundo ele, o acordo terá efeitos positivos na na cadeia automotiva.

A proposta será votada amanhã (16) à tarde na fábrica de Taubaté, no interior paulista. Na unidade de São José dos Pinhais (PR), a votação, virtual, vai até amanhã. Já os trabalhadores da Volkswagen em São Carlos (SP) fazem assembleia na próxima segunda-feira (21).

Enxugamento

No mês passado, a direção da montadora procurou os quatro sindicatos (três filiados à CUT e um à Força Sindical) e informou que pretendia cortar aproximadamente 35% da mão de obra – perto de 5.200 empregos –, além de adotar medidas de flexibilização. As fábricas têm 15 mil funcionários. São 8.600 em São Bernardo, 3.100 em Taubaté e 2.450 em São José dos Pinhais.

Os dirigentes enfatizaram a cláusula de garantia no emprego. “Diante do momento que vivemos, com várias empresas demitindo, conseguir construir um acordo que dá estabilidade no emprego por cinco anos é uma referência”, afirmou, por exemplo, o presidente do sindicato de Taubaté, Cláudio Batista, o Claudião.

Ele lembrou ainda do “descongelamento ” de investimentos na fábrica, com implementação de uma plataforma a partir de novembro. “Com a plataforma, a unidade de Taubaté poderá produzir novos modelos de veículos.”

Competitividade

“Desde que a Volkswagen nos procurou, deixamos claro que a nosso objetivo era evitar as demissões e que então buscássemos alternativas para procurar manter os empregos e a competitividade da empresa”, disse o presidente do sindicato da Grande Curitiba, Sérgio Butka. Para ele, o acordo dá tranquilidade “para que o trabalhador possa desempenhar bem sua função e a empresa possa se planejar para enfrentar o momento difícil pelo qual o país passa”.

O PDV, que ainda não tem período definido e meta formalmente fixada, inclui salários adicionais (até 20) para quem aderir, conforme o tempo de casa. Em relação ao reajuste, o INPC integral só será aplicado de 2023 a 2025. Neste ano, por exemplo, o índice não será aplicado (no limite de 5%) e convertido em abono no valor de R$ 6 mil, a ser pago juntamente com a segunda parcela da participação nos lucros ou resultados (PLR). Em 2021, se a inflação superar 3,5%, a empresa pagará a diferença.

O lay-off pode ser usado por até 10 meses. A remuneração corresponderá 82,5% do salário líquido. O pagamento do 13º salário e da PLR será proporcional.

A tabela salarial será congelada, por 12 meses, para todos os trabalhadores horistas. Antes, quem tem direito receberá o equivalente ao próximo step (nível). Será implementada nova tabela salarial, para horistas admitidos a partir de janeiro de 2021, com redução de 17,05% no teto.