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Com mais de 90% no setor privado, bancários aprovam acordo. Para metalúrgicos, desafio é defesa do emprego

Campanha no setor financeiro exigiu 14 rodadas de negociação. Na área metalúrgica, empresários mostram má vontade, diz sindicalista

FEM-CUT SP/Sind. Banc. SP
Luizão e Ivone: campanhas deste ano têm dificuldades extras

São Paulo – Um dia antes da data-base, que é justamente hoje, os bancários encerraram sua campanha salarial após votação realizada pelos 89 sindicatos filiados de todo o país. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), no setor privado foram 93% dos votos a favor da proposta negociada com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Os percentuais foram um pouco menores no caso da Caixa e do Banco do Brasil, mas ainda expressivos: 70,82% e 83,68%, respectivamente.

Com duração de dois anos, o acordo coletivo prevê agora 1,5% de reajuste salarial e abono de R$ 2 mil. Benefícios como vales alimentação e refeição serão corrigidos pelo INPC-IBGE, estimado em 2,74%, além dos valores fixos da participação nos lucros ou resultados (PLR). Para 2021, haverá reajuste pela inflação e aumento real de 0,5%, incluindo as demais verbas. As cláusulas sociais foram mantidas.

Cenário adverso

Na base do sindicato de São Paulo, Osasco e Região, por exemplo, a proposta foi aprovada com 93,38% dos votos. No Rio de Janeiro, funcionários dos bancos privados aceitaram com percentual parecido, 93,89%, chegando a 72,36% na Caixa e 77,44% no BB.

“Mesmo em um cenário adverso, com um governo aliado de banqueiros e contra os trabalhadores, em uma pandemia que agravou a crise econômica e com metade da categoria em home office”, afirmou a presidenta do sindicato de São Paulo, Ivone Silva. Ela lembrou que, durante a campanha, que exigiu 14 rodadas de negociação, inclusive no último fim de semana, a Fenaban insistia em reajuste zero e mudanças para pior nas regras da PLR, além de retirada de direitos.

Fantasma

Para os metalúrgicos da CUT no estado de São Paulo, o desafio é garantir alguma cláusula que preveja estabilidade no emprego, principalmente neste período de pandemia. Segundo o presidente da FEM-CUT, federação estadual da categoria, que também tem data-base em 1º de setembro, a negociação com os diversos setores patronais segue “travada” em função, basicamente, da reivindicação de estabilidade.

“Para nós, não faz sentido fechar uma data-base sem prever que os trabalhadores tenham alguma tranquilidade. E o empresariado paulista não é sensível a esse tema”, diz Luizão. Segundo ele, as empresas têm mostrado má vontade e “jogam tudo na conta do pandemia”.

Assim, a questão do emprego é “central” na campanha deste ano. “A ideia é que a gente tire por alguns meses o fantasma do desemprego da cabeça do trabalhador”, afirma o presidente da FEM-CUT. O setor teve meses bastante ruins, como junho, quando foram fechadas 8 mil vagas. Em julho, foram abertas 500 postos de trabalho. “A recuperação deverá ser bastante lenta.” A negociação envolve 187 mil metalúrgicos.