Retrocesso

Proposta dos bancos, já rejeitada, poderia reduzir valor da PLR quase pela metade

Representantes dos bancários afirmam que setor tem condições de atender reivindicações. Acordo vence no dia 31 e nova rodada de negociação será na quinta

Contraf-CUT
PLR é item considerado estratégico no acordo coletivo dos bancários

São Paulo – Se na reunião da última sexta-feira (14) os representantes da Federação dos Bancos (Fenaban) haviam exposto um cenário de “dificuldade” para um setor recordista de lucros, no encontro de hoje (18) a queixa se materializou em proposta. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou ainda na mesa de negociação proposta dos bancos de alteração nas regras do pagamento da participação nos lucros ou resultados (PLR). As mudanças sugeridas poderiam levar a queda de até 48% no valor recebido pelos bancários.

“É preciso repartir o lucro com os trabalhadores, os maiores responsáveis pelo excelente desempenho do setor. Somente quatro bancos lucraram R$ 28,5 bilhões no semestre, somente os acionistas e executivos recebem seus lucros? O setor mais lucrativo do país não pode tratar assim seus trabalhadores”, reagiu a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando Nacional.

Ela chama a atenção para o fato de que o acordo precisa ser fechado até o próximo dia 31, véspera da data-base e quando expira a convenção coletiva da categoria. “Sem isso, todas as cláusulas da nossa convenção estão ameaçadas. “Queremos resolver a campanha na mesa de negociação, e os bancos têm condições de atender nossas reivindicações.”

Reajuste, PLR e vales

Na parte econômica, os bancários reivindicam reajuste com base na inflação mais 5% a título de aumento real. Já a PLR seria fixada em três salários, além de uma parcela fixa de R$ 10.742,91. Os vales alimentação e refeição ficariam em R$ 1.045 (valor correspondente a um salário mínimo) cada. Entregue em 23 de julho, a pauta inclui ainda itens como saúde e segurança, teletrabalho, igualdade de oportunidades e garantia de emprego.

“Os bancos sempre lucram. Mesmo numa crise, foram os primeiros a serem protegidos pelo governo da crise econômica (causada pela pandemia)”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, também coordenadora do Comando.

Os bancários estimam em R$ 267 milhões a economia das empresas com o teletrabalho, ou home office, no primeiro semestre. O valor abrange despesas com água, luz, gás, vigilância, segurança e viagens. Por outro lado, Juvandia observa que, em casa, o bancário passa a gastar mais, particularmente com alimentação, item que subiu bem mais do que a inflação geral.

A próxima rodada de negociação está marcada para esta quinta-feira (20).


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