"Absurda"

Petroleiros rejeitam reajuste zero e insistem em normas de segurança

Assembleias vão até segunda-feira. Empresa também quer rebaixar direitos, afirma a FUP

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'Em vez de garantir tranquilidade e segurança para os trabalhadores, os gestores da Petrobras querem impor às pressas um acordo rebaixado", critica Deyvid

São Paulo – Assembleias nas bases dos petroleiros pelo país estão rejeitando proposta da Petrobras para renovação do acordo coletivo, que a Federação Única dos Petroleiros (FUP) chama de “absurda” e “inadmissível”. A empresa fala em reajuste zero na data-base (1º de setembro) e pretende rebaixar direitos.

Nas assembleias, que vão até a próxima segunda-feira (17), os trabalhadores defendem que o atual acordo seja prorrogado até o fim do estado de calamidade pública, decretado devido à pandemia. Segundo a FUP, várias bases já deliberaram, casos, até ontem (12), de Pernambuco, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

“Não estamos em um ‘novo normal'”, diz o coordenador da federação, Deyvid Bacelar. “Convivemos todos os dias com mais de mil mortes. Já ultrapassamos a terrível marca de 100 mil vidas perdidas e 3 milhões de infectados. Em vez de garantir tranquilidade e segurança para os trabalhadores, os gestores da Petrobrás querem impor às pressas um acordo rebaixado.”

“Aumento escandaloso”

A entidade afirma que, enquanto não oferece reajuste aos funcionários, “a diretoria se autoconcedeu um aumento escandaloso, a empresa impõe perdas ainda maiores à categoria, como a tentativa de inviabilizar a AMS (Assistência Multidisciplinar de Saúde) durante a pandemia, no momento em que os trabalhadores e os aposentados mais precisam do plano de saúde”. De acordo com a FUP, a Petrobras está entregando a AMS para uma associação privada, ao mesmo tempo em que aumenta de 30% para 40% a participação dos petroleiros no custeio.

“Além disso, os gestores propõem um reajuste médio de 143% para os beneficiários, que pode chegar a 1.422% em alguns casos, penalizando os menores salários e a maiores faixas de idade. Somam-se a isso vários outros ataques e retiradas de direitos”, acrescenta a federação. Entre esses itens, estão cláusulas referentes a adicional, horas extras, estabilidade no emprego e regulamentação do teletrabalho.

Vistoria na empresa

Os petroleiros querem renovação do acordo por dois anos. Na parte econômica, reivindicam reajuste com base no IPCA (estimam o índice em 2,3%) e aumento real de 2,2%, percentual referente, segundo a FUP, a perdas inflacionárias de 2016 a 2019.

A questão da segurança segue preocupando os representantes da categoria. A pedido dos petroleiros, a Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro deverá realizar vistorias em unidades da Petrobras. O anúncio foi feito durante audiência pública para debater as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores do sistema. Sindicalistas, por sua vez, afirmam que a empresa omite dados sobre a covid-19.