Julgamento na Corte

Greve nos Correios pode acabar nesta sexta caso o STF suspenda liminar contra acordo

Trabalhadores exigem manutenção das cláusulas sociais e acordo fixado pelo TST. Julgamento pode marcar desfecho ou continuidade da paralisação por tempo indeterminado

Marcelo Camargo/EBC
Fentect aponta lucro da estatal que vem tirando direitos, em meio à pandemia, segundo os trabalhadores. "General Floriano Peixoto quer que os trabalhadores paguem a conta"

São Paulo – A greve nos Correios pode se estender até o próximo mês ou acabar nesta sexta-feira (21), a depender do resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o restabelecimento de sentença do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de 2019. De acordo com o secretário-geral da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), José Rivaldo da Silva, se a decisão for favorável aos trabalhadores, a previsão é que já na próxima segunda (24) assembleias decidam pela suspensão da paralisação.

Em greve há quatro dias, a categoria cobra a manutenção das cláusulas sociais – à exceção do plano de saúde –, conforme sentença do TST em outubro de 2019. Assim como a duração, em dois anos, do acordo coletivo. No ano passado o presidente do Supremo, Dias Toffoli, concedeu liminar à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), suspendo a decisão. Em posse dessa liminar, segundo Rivaldo, o presidente dos Correios, general Floriano Peixoto, cortou uma série de direitos do atual acordo. 

Segundo a direção da estatal, o objetivo seria “zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa”. Ontem, a RBA mostrou denúncia da Fentect de que os Correios divulgaram holerite com dados “que não representam o real ganho dos funcionários”, que teriam descontos de quase R$ 800 na folha de pagamento. Em entrevista a Glauco Faria, do Jornal Brasil Atual, o secretário-geral da entidade acrescentou que a estatal teve um aumento do volume de entregas de mais de 30%, em meio à pandemia, em função dos serviços de compra on-line.

Contra a privatização

Ainda segundo Rivaldo, a manutenção do acordo não dá prejuízos a empresa que teve um incremento na receita, alcançando, até maio deste ano, quase R$ 400 milhões de lucro, aponta a federação. “Em contrapartida o general Floriano Peixoto quer que os trabalhadores paguem a conta.” Na semana passada, Toffoli manteve seu voto, e foi acompanhado pelo ministro Edson Fachin. A Fentect, contudo, diz acreditar na “sensibilidade dos demais ministros”. 

A mobilização também marca a oposição da categoria à proposta de privatização da estatal. A intenção de vender a empresa já foi manifestada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. O argumento é que isso baratearia as tarifas. Os Correios, no entanto, já têm hoje as tarifas mais baratas quando comparadas aos serviços similares prestados por empresas da iniciativa privada. Além de ter o monopólio do serviço de entregas de cartas, que chega a render 40% da receita da empresa, segundo a federação. 

“Os Correios acabam regulamentando esse mercado, se não tivesse, os preços seriam impraticáveis para quem mora mais distante. A empresa ser privatizada só interessa a quem atua no mercado”, destaca Rivaldo.

Redação: Clara Assunção. Edição: Glauco Faria