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Metroviários de São Paulo suspendem greve e seguem negociações com o governo Doria

Metroviários não estão pedindo aumento, mas também não aceitam proposta de retirada de direitos do governo Doria, que se nega a fazer qualquer negociação

Reprodução
Mobilização dos trabalhadores é contra a negativa de Doria em prorrogar o acordo coletivo de trabalho (ACT) e a proposta de retirar vários direitos da categoria

São Paulo – Os metroviários de São Paulo decidiram suspender a greve prevista para esta quarta-feira (8). Os trabalhadores votaram por seguir as negociações da campanha salarial, mantendo o estado de greve, mas aceitando proposta do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) de articular, até a próxima segunda-feira (13), acordo coletivo específico para o período da pandemia – válido até 31 de dezembro –, com efeito retroativo a junho.

A mobilização é contra a negativa da empresa em prorrogar o acordo coletivo de trabalho (ACT) e a proposta de retirar vários direitos da categoria. Mesmo sem a conclusão da campanha, o Metrô já aplicou os cortes salariais e reduziu os recebimentos dos trabalhadores no pagamento feito semana passada. A empresa, administrada pelo governo de João Doria (PSDB) tem rejeitado todas as propostas de acordo, inclusive as feitas pelo TRT-2.

Os metroviários não reivindicam reajuste salarial – apenas a manutenção do acordo firmado no ano passado. O governo Doria quer reduzir o adicional sobre as horas extras de 100% para 50% e o adicional noturno de 50% para 20%, eliminar o auxílio-transporte e o adicional de risco de vida dos trabalhadores de bilheterias e seguranças, reduzir a gratificação de férias de 70% do salário efetivo para 33% e a contribuição da empresa para o plano de saúde de 84% para 70% da mensalidade.

Sem reajuste

Além disso, a companhia não propõe reajuste para salários e benefícios. E quer mudar novamente a data de pagamento, além de alterar ou mesmo retirar outros direitos previstos no acordo coletivo. Ao todo, 18 itens seriam retirados e os benefícios seriam reduzidos em outros 11, segundo a proposta do Metrô. A proposta de greve dos metroviários é contra esses cortes.

“O governo e a empresa se aproveitam da pandemia para atacar os metroviários, que é uma das categorias mais bem organizada do estado. Se der certo, vai aplicar isso aos demais trabalhadores. É um completo desrespeito com quem presta o melhor serviço público do estado. Quem opera o Metrô não é a direção, são os metroviários. Mas essa direção sequer dialoga com o sindicato”, afirmou o coordenador da entidade Wagner Fajardo.

Já foram realizadas três reuniões entre o Metrô e os trabalhadores. Ontem (6), foi realizada nova audiência de conciliação no TRT-2, mas também não houve acordo. Os funcionários se encontram em estado de greve desde 26 de junho.

Exposição ao vírus

“Os metroviários são trabalhadores essenciais, não pararam durante a pandemia, prestando um serviço fundamental à população, especialmente para outras categorias essenciais no combate ao coronavírus. Por isso, estão mais expostos, cada dia mais são contaminados pelo vírus. Mesmo assim, Doria e o Metrô querem atacar os metroviários”, argumentam os trabalhadores.

A categoria lembra ainda que o governo Doria não garantiu sequer equipamentos de proteção individual (EPIs) aos funcionários para uso durante a pandemia, mesmo após várias denúncias e ações judiciais do Sindicato dos Metroviários. Logo que a reabertura do comércio e dos serviços foi autorizada por Doria, o Metrô convocou profissionais com mais de 60 anos para voltar ao trabalho.

O sindicato registrou 123 trabalhadores contaminados pelo coronavírus, outros 76 casos suspeitos e 83 afastados por contato. Até agora, um trabalhador que estava na ativa morreu.