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Greve contra corte de salários: Metrô de São Paulo vai parar a partir de zero hora desta terça

Redução de direitos e benefícios e negativa de negociação com trabalhadores também motivaram a paralisação.Greve é por tempo indeterminado

Paulo Iannone/Sindicato
Greve dos metroviários é contra cortes de salários e redução de direitos pelo governo Doria

São Paulo – Trabalhadores entram em greve e paralisam atividades do Metrô de São Paulo a partir da zero hora desta terça-feira (28), por tempo indeterminado. O governo João Doria (PSDB) anunciou um corte de 10% nos salários dos metroviários, além de seguir retirando ou reduzindo diversos direitos e benefícios. Após várias tentativas de negociação, inclusive no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), a diretoria do Metrô continua intransigente, alegando que a pandemia de covid-19 vem causando problemas financeiros à estatal.

Tentando impedir o direito de greve, a direção do Metrô obteve liminar na justiça determinando que 95% da operação seja mantida no horário de pico e 65% nos demais horários. O TRT-2 deve julgar o dissídio coletivo na próxima quarta-feira (29).

Os metroviários não reivindicam reajuste salarial este ano, apenas que o governo Doria prorrogue o atual acordo coletivo de trabalho (ACT) integralmente até o final da pandemia de coronavírus. “Os debates de negociação estão muito difíceis, porque a empresa tem a premissa de que quem deve pagar pela crise são os funcionários de menor salário. Se não houver solução negociada, vamos para a greve”, afirmou coordenadora do Sindicato dos Metroviários Camila Lisboa.

Privilégios

Embora alegue crise financeira, o governo Doria mantém intocadas as gratificações de função de 591 funcionários do alto escalão da companhia, dos quais 161 ganham acima do teto salarial do estado, atualmente em R$ 23.048,59. Apenas a parte dos salários que supera o teto estadual corresponde a um gasto de mais de R$ 630 mil por mês para o Metrô. De acordo com os metroviários, há também as gratificações de função, que chegam a R$ 8 mil, por mês. São seis diretores, 129 assessores, 185 supervisores, 24 gerentes, 61 chefes de departamento e 186 coordenadores que recebem o valor.

O total de recursos para “gratificar” esse pessoal gira entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões por mês. “Essas cerca de 600 pessoas equivalem a aproximadamente 7% do quadro efetivo, mas são cerca de 30% da folha de pagamento”, criticou o diretor da Federação Nacional dos Metroviários (Fenametro) Alex Santana Vieira.

Mesmo antes do anúncio de greve, o Metrô já aplicou cortes salariais e redução de direitos na folha de pagamento de junho. Em quatro reuniões de negociação realizadas, o Metrô não cedeu em nenhum ponto e manteve a redução do adicional sobre as horas extras dos trabalhadores de 100% para 50% e do adicional noturno de 50% para 20%.

Também eliminou o auxílio-transporte e o adicional de risco de vida dos operadores de bilheterias e seguranças, reduziu a gratificação de férias de 70% do salário efetivo para 33% e a contribuição da empresa para o plano de saúde de 84% para 70% da mensalidade.

Covid

Além disso, a companhia quer mudar novamente a data de pagamento, além de alterar ou mesmo retirar outros direitos previstos no acordo coletivo. Ao todo, 18 itens seriam retirados e os benefícios seriam reduzidos em outros 11.

Os metroviários lembram ainda que o governo Doria não garantiu sequer equipamentos de proteção individual (EPIs) aos funcionários para uso durante a pandemia, mesmo após várias denúncias e ações judiciais do sindicato. Logo que a reabertura do comércio e dos serviços foi autorizada por Doria, o Metrô convocou profissionais com mais de 60 anos para voltar ao trabalho. O sindicato registrou 123 trabalhadores contaminados pelo coronavírus, outros 76 casos suspeitos e 83 afastados por contato. Até agora, um trabalhador que estava na ativa morreu.


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