Queima dos apps

Aplicativos receberam mais de 50 mil avaliações negativas durante a greve dos entregadores

Usuários atribuíram apenas uma estrela em 98% das avaliações e denunciaram as más condições de trabalho nos comentários

Felipe Campos Mello/Fotos Públicas
Além do boicote, entregadores pediram aos consumidores que avaliassem negativamente as empresas nas lojas de aplicativos

São Paulo – No dia da primeira paralisação dos trabalhadores no setor, milhares de consumidores avaliaram negativamente os aplicativos Ifood, Rappi, Uber Eats, Loggi e James. Até as 17h desta quarta-feira (1º), durante a primeira greve nacional da categoria, as cinco companhias, juntas, haviam recebido 53.411 avaliações. Em 98% delas, os usuários atribuíram apenas uma estrela, o critério mais baixo de avaliação.

O levantamento foi realizado pelo jornal O Globo, a partir do site Appbot, que faz o acompanhamento das notas atribuídas às aplicações nas lojas virtuais Google Play e Apple Store. Além das notas baixas atribuídas, os consumidores também deixaram comentários denunciando as péssimas condições de trabalho impostas aos entregadores.

Essas avaliações negativas atenderam às solicitações dos próprios entregadores. Nos preparativos para a greve, além do boicote às empresas, pediam que os consumidores “queimassem” os apps, denunciando a exploração.

Em um único dia, o número de avaliações chegou quase à metade do montante registrado em todo o mês anterior. Contudo, apesar do grande volume, a chuva de avaliações não foi suficiente para alterar negativamente a nota das empresas nas lojas de aplicativos. São quase 3 milhões de avaliações, desde que começaram a operar. A nota do Ifood, por exemplo, caiu de 4,5 para 4,49, no Google Play.

A greve

Os entregadores reivindicam aumento na taxa mínima e no valor pago por quilômetro rodado nas entregas. Durante a pandemia, quando se tornaram ainda mais essenciais, quase sete em cada 10 entregadores afirmam que seus rendimentos caíram. Eles também reivindicam o fim dos bloqueios indevidos, o custeio de equipamentos de proteção individual (EPIs) e benefícios, como vale-refeição e seguro contra roubo, acidente e de vida, também estão na pauta.

Os entregadores realizaram manifestações em todo o país. As maiores foram registradas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador e Brasília. Na Avenida Paulista, região central da capital, o protesto reuniu cerca de 2 mil motoboys e ciclistas. Na capital federal, eles protestaram, em frente ao Congresso Nacional, pela criação de uma frente parlamentar em defesa dos direitos da categoria. Ao longo do dia, os termos #BrequeDosApps e #GreveDosApps estavam entre os mais comentados no Twitter