Reestruturação

Demissões a distância: professores vão à Justiça contra cortes na Uninove

Uninove demitiu mais de 300 professores, por e-mail. Para sindicato, pandemia é desculpa para reestruturação na base da maximização do lucro

União Nacional dos Estudantes
Protesto de estudantes em junho de 2019, contra a demissão de professores

São Paulo – O Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro) ingressou com ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) contra as demissões executadas pela Universidade Nove de Julho – Uninove. A entidade tenta uma decisão liminar que anule as mais de 300 dispensas de professores feita nesta segunda-feira (22) pela instituição. Os advogados do sindicato pedem também mediação do TRT para buscar uma solução em tempo hábil.

A Uninove dispensou os professores por e-mail e mensagens enviadas aos docentes no momento em que entrariam no sistema eletrônico para ministrar a aula a distância.

A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da Uninove, sem sucesso. O único canal de comunicação oferecido pela universidade é uma linha de WhatsApp atendida por robô.

Impacto social

De acordo com nota divulgada pelo sindicato, “causa enorme impacto social” as demissões em massa pela Uninove, mesmo tendo sido facilitada pela reforma trabalhista de 2017. E o fato de ocorrer em meio à pandemia, sem que a mantenedora tivesse manifestado qualquer intenção de negociar ou amenizar o problema, agrava ainda mais a situação. “Para o SinproSP, a pandemia está sendo usada pela Uninove para acelerar o processo de reestruturação iniciada há alguns anos e baseada na redução da folha de pagamentos e maximização dos lucros.”

Em junho do ano passado, a universidade aumentou da carga horária baseada em ensino a distância (EAD) e demitiu aproximadamente 30 professores de cursos da área de humanas. Os alunos foram protestar diante do campus Barra Funda, zona oeste da capital paulista.