Irresponsabilidade

Covid-19: Doria convoca idosos para voltar ao trabalho no Metrô

Ignorando que os idosos são os que mais correm risco de morrer de covid-19, Doria quer garantir pleno funcionamento do Metrô na flexibilização da quarentena

Governo de SP-Divulgação
Governador anunciou o plano para a volta às aulas comemorando que o enfrentamento à pandemia em São Paulo era um sucesso

São Paulo – Ignorando que os idosos são os que mais correm risco de morrer por complicações causadas pela covid-19, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), determinou a volta ao trabalho dos metroviários com mais de 60 anos. Um ato assinado pelo presidente da Companhia do Metropolitano (Metrô), Silvani Alves Pereira, na última sexta-feira (29), determinou que deverão retornar às suas funções “os profissionais necessários para atender ao aumento previsto na demanda de passageiros de forma segura”. Aumento decorrente da flexibilização da quarentena em São Paulo, determinada por Doria na semana passada.

Ontem (2), o estado de São Paulo registrou recordes de casos e mortes causadas pela covid-19. Apesar de Doria garantir que a situação está controlada, houve 327 mortes e quase 7 mil novos casos confirmados em 24 horas, os maiores números desde o início da pandemia. A taxa de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) subiu de 69,3% para 73,5% no estado e de 83% para 85,3% na Grande São Paulo. No total, são 118 mil casos e 7.994 mortes, entre as quais 72,8% de pessoas acima de 60 anos.

A coordenadora-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Camila Lisboa, considera uma imensa falta de responsabilidade do governo Doria. “Pela quantidade de contaminados e mortos, as pessoas acima de 60 anos fazem parte, sim, do grupo de risco, independentemente de terem doenças pré-existentes ou comorbidades. É uma atitude bastante irresponsável e despreocupada com a vida das pessoas”, afirmou.

Os metroviários foram à Justiça com ação civil pública questionando a convocação dos maiores de 60 anos. “Essas pessoas precisam se manter isolamento e a gente acha que essa atitude do presidente do Metrô vem na onda da flexibilização da quarentena do estado, o que a gente também acha uma atitude bastante irresponsável. São Paulo segue sendo epicentro da epidemia. Todas as pessoas que se enquadram no grupo de risco devem se manter ainda em isolamento”, defendeu Camila.

A flexibilização da quarentena em São Paulo foi autorizada a partir de segunda-feira (1º). Os municípios das áreas que estão na fase 1-laranja ou 2-amarelo devem aprovar protocolos de funcionamento para os comércios e serviços que estiverem autorizados reabrir. A proposta é progressivamente reabrir todo o comércio, em etapas sucessivas, que vão ocorrer a cada duas semanas. No entanto, se houver aumento de casos ou de ocupação das UTI, os municípios regridem na flexibilização, podendo até voltar para a fase 1, em que só serviços essenciais poder ser abertos.