linha de frente

Covid-19 já afastou quase 7 mil trabalhadores da saúde pública em São Paulo

Maior parte dos profissionais afastados por casos suspeitos ou confirmados de covid-19 é da prefeitura de São Paulo, com 4.365

Sindsep
Trabalhadores da saúde que atuam com casos suspeitos ou confirmados de coronavírus não recebem equipamentos adequados

São Paulo – Quase 7 mil trabalhadores da saúde pública foram afastados por casos suspeitos ou confirmados de covid-19, desde o início da pandemia em São Paulo. Do total, 4.365 são servidores da prefeitura da capital paulista e 2.558 atuam no governo estadual. O governo do prefeito Bruno Covas (PSDB) oficializou ontem (7) o registro mais recente da situação dos servidores: 1.086 tiveram diagnóstico confirmado e 3.264 foram casos suspeitos. Já o balanço do governo de João Doria (PSDB) remonta a 30 de abril e não discrimina casos confirmados ou suspeitos.

O número da prefeitura mostra acréscimo de 489 afastamentos em 20 dias, em relação aos dados de 15 de abril. O governo Covas registra também 15 mortes de trabalhadores da saúde pela covid-19, número inferior aos 20 óbitos apontados pelo Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep). A gestão Doria não divulga o número de servidores que morreram, mas o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado (SindSaúde) registra 12 mortes.

Ambos os sindicatos apontam a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e de treinamento adequado para os trabalhadores da saúde como razão principal para as contaminações e mortes dos servidores. E que sejam divulgadas informações claras sobre as condições dos servidores.

Questão de respeito

“Defendemos que as informações oficiais precisam ser amplamente divulgadas, é um respeito necessário com as famílias e com os colegas de trabalho. Cada ocultação amplia o problema, já que pessoas que conviveram com infectados não podem se proteger, fazer os testes e identificar com rapidez a contaminação”, diz o SindSaúde.

Além de máscaras, faltam luvas, álcool em gel, protetores faciais, toucas cirúrgicas e demais itens de proteção para o corpo. Aventais e macacões impermeáveis não têm sido recebidos em número suficiente para estes profissionais.

O governo Covas entregou novas máscaras de proteção para os trabalhadores, mas estas são de baixa qualidade, feitas de um material muito mais fino que os das máscaras normalmente utilizadas na rede de saúde. O material, da marca Bompack, vem sendo entregue nas unidades desde o início da semana.

Sem proteção

Servidores tiraram fotos comparando os modelos e a diferença de espessura entre os modelos é significativa, evidenciando que seu uso não protegerá os trabalhadores do risco de infecção. “Não sei se é melhor trabalhar com ou sem essa máscara. Isso é um cala-boca da prefeitura, para dizer que está protegendo os profissionais de saúde. É vergonhoso oferecer esse material no meio dessa situação”, relatou uma trabalhadora da saúde que pediu para não ser identificada.

Pesquisa realizada pelo Sindsep revelou que 62% dos trabalhadores da saúde afirmam não ter acesso à máscara do tipo N95, e ainda enfrentam a falta de máscaras de proteção (52%). Além disso, não há álcool para 70% dos profissionais e avental, para 30%.

Ao mapear as condições de segurança de trabalho, a pesquisa mostrou que a possibilidade de contaminação é ainda maior para os servidores do grupo de risco da covid-19, que são quase um terço dos funcionários públicos, considerando apenas aqueles que têm 60 anos ou mais.

Para o Sindsep, os dados assustam e reforçam denúncias de falta de EPIs trazidas especialmente por funcionários da rede hospitalar. “Os trabalhadores da saúde estão em perigo diante da irresponsabilidade da prefeitura com o fornecimento em quantidade e qualidade adequados dos equipamentos de proteção. Os meios de comunicação dia após dia expõe a realidade da falta e da qualidade inapropriada dos EPIs distribuídos: aventais, capotes, toucas, óculos de proteção, face shield, sapatilhas e também insumos como álcool gel”, disse o sindicato.