Maquiagem

Petrobras esconde número real de petroleiros com covid-19, afirma FUP

Para José Maria Rangel, coordenador-geral da entidade, estatal esconde dados reais para manter o preço das ações, excluindo os terceirizados dos relatórios sobre a doença

Divulgação/Petrobras
Para petroleiros, números de casos publicados pelo Ministério de Minas e Energia podem esconder realidade mais dura

São Paulo – “Na mesma semana em que o preço das ações da Petrobras caiu na Bolsa de Valores de Nova York, após a divulgação de que mais de 800 petroleiros estavam infectados pelo novo coronavírus, a estatal alterou a forma de divulgação do número oficial de trabalhadores e trabalhadoras vítimas da doença em suas unidades.” A afirmação é da Federação Única dos Petroleiros (FUP), em nota divulgada nesta quarta-feira (20).

Segundo a entidade, boletim publicado pelo Ministério de Minas Energia em 23 de abril divulgou que o número de casos confirmados de contaminados nas unidades da estatal seria de 258. Em balanços posteriores, o número saltou para 510 casos (27 de abril) e 806 (5 de maio). No entanto, em novo registro, de 11 de maio, o número de casos confirmados caiu para 474.

Para o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, para manter o preço das ações, a Petrobras “maquiou” os números. Uma forma de alterar a realidade teria sido incluir e, depois, excluir os trabalhadores terceirizados.

“Nos dois primeiros boletins semanais divulgados não foram contabilizados os terceirizados. Eles incluíram no terceiro boletim e voltaram a deixar esses trabalhadores de fora no quarto boletim”, diz o dirigente.

Para a FUP, a “maquiagem” mostra que, para a atual gestão, presidida por Roberto Castello Branco, o que importa é manter a imagem da empresa e garantir o lucro e o patrimônio dos investidores. Segundo Rangel, a estatal não tomou  medidas efetivas de segurança e prevenção à pandemia nas suas unidades.

Ainda de acordo com a FUP, a notícia do alto número de petroleiros infectados pelo vírus “caiu como uma bomba na bolsa norte-americana e provocou a queda no preço das ações da Petrobras”. A federação cita estudo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), divulgado no dia 7.

Desconfiança

“A queda no preço das ações nos Estados Unidos foi seguida pelas notícias no Brasil de que a Petrobras contabilizava mais de 800 trabalhadores contaminados pelo novo coronavírus, enquanto outros cerca de 1.600 casos eram investigados, o que motivou o Ministério Público do Trabalho (MPT) a abrir um processo de investigação judicial contra a companhia sob suspeita de negligência”, diz o estudo.

O Ineep afirma que “a denúncia do MPT ocorre na mesma semana em que a Petrobras foi homenageada pela Bolsa de Nova York como uma das empresas referência de segurança durante a crise do novo coronavírus”. Em comparação a janeiro, de acordo com o Ineep, a Petrobras é a petrolífera mais desvalorizada do mundo, com o preço de suas ações apresentando variação negativa de 60,41%.

A FUP afirma ver “com desconfiança” a forma como a estatal contabiliza os casos” de covid-19. “Os números de casos de Covid-19 publicados semanalmente no site do Ministério de Minas e Energia podem, na verdade, estar escondendo uma realidade muito mais dura sobre a proliferação do vírus nas plataformas e refinarias da estatal”, diz a FUP.

Em seu site, a Petrobras cita “uma série de contribuições” que tem adotado para ajudar no combate à pandemia, como a doação de cerca de 3 milhões de litros de combustível para abastecer ambulâncias, veículos de transporte de médicos, hospitais públicos e filantrópicos vinculados às secretarias estaduais de saúde do país.


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