Alerta máximo

Morte de profissionais de enfermagem pela covid-19 cresce 200% em 21 dias

Casos de covid-19 cresceram 175% entre profissionais de enfermagem no mesmo período. São mais de 10 mil trabalhadores infectados e 88 mortes

Alex Pazuello/Semcom
Profissionais de enfermagem são vítimas dos descaso dos governos e atuam na pandemia sem os EPI adequados, aponta Cofen

São Paulo – Em todo o Brasil, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) já registrou a morte de 88 profissionais de enfermagem em razão de casos suspeitos ou confirmados de covid-19, nas redes pública e privada de saúde, desde o início da pandemia. O número representa aumento de 203% em relação a 15 de abril, quando havia 29 mortes. Segundo o conselho, 10.081 trabalhadores da categoria já foram afastados de suas funções pela doença, alta de 175% nos casos, no mesmo período.

Os dados fazem parte do Observatório da Enfermagem, lançado hoje (6) para monitorar e divulgar a situação da categoria em meio à pandemia. O coordenador do Comitê Gestor de Crise do Cofen, Walkírio Almeida, destacou que os dados do observatório são apenas “a ponta do iceberg”.

“Estes são os casos identificados, não representam a totalidade. Os dados podem auxiliar as secretarias de saúde na definição de políticas públicas. E servem também como base para que nós façamos recomendações técnicas, não só ao presidente do Cofen, mas também aos presidentes de todos os Conselhos Regionais e aos serviços de enfermagem, refletindo o quadro epidemiológico verificado”, explicou.

EPIs e estrutura

Segundo o Cofen, as mortes de profissionais de enfermagem por covid-19 são mais que o dobro das registradas entre profissionais de enfermagem na Itália, primeiro epicentro da covid-19 fora da Ásia. O presidente do Cofen, Manoel Neri, avalia que a situação decorre principalmente da falta de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) e de uma inadequada estruturação dos sistemas de saúde para enfrentar a pandemia.

O Cofen precisou acionar a justiça para garantir o afastamento dos profissionais que compõem grupos de risco e assegurar a realização de testes nas equipes de Enfermagem.

“Esta situação gravíssima reflete a escassez de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), treinamento inadequado das equipes, profissionais de grupos de risco mantidos na linha de frente do atendimento, subdimensionamento das equipes, dentre outros fatores. Não somos máquinas”, afirmou Neri.

Por estado, a pior situação se registra em São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil: são 2.732 profissionais de enfermagem afastados e 26 mortos em casos suspeitos ou confirmados de covid-19. Em seguida, vem o Rio de Janeiro, com 2.527 afastamentos e 24 mortes. Depois vêm Santa Catarina, com 740 casos de contaminação, Ceará, com 689 casos e cinco mortes, e Pernambuco, com 428 casos e sete mortes.