Contra a pandemia

Ato alterna música e homenagens a trabalhadores da saúde e serviços essenciais

Sindicalistas incluem mensagens da Organização Mundial da Saúde, que vem sendo atacada pelo presidente

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'Vai passar, mas dependemos um do outro', diz Preta Ferreira

São Paulo – Sei que nessa estrada tem serpentes rastejantes/ Gente peçonhenta que te observa a todo instante, diz a letra de Audácia, da rapper e professora Preta-Rara, de Santos (SP), mais uma a se apresentar no “palco virtual” do 1º de Maio das centrais sindicais. O ato intercala números musicais com várias homenagens a trabalhadores da saúde e em serviços essenciais, inclusive com inserção de mensagens da Organização Mundial da Saúde (OMS), que vem sendo atacada pelo presidente Jair Bolsonaro.

O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, chamou o governo de “irresponsável, criminoso e genocida”. E o cientista Miguel Nicolelis agradeceu os “esforços heroicos” de quem está trabalhando e pediu para “tentar imaginar um novo futuro, com um grau maior de empatia humana, de solidariedade”.

Os organizadores entrevistaram trabalhadores na ativa: uma comerciária, um motorista de ônibus, um empregado em edifício e um funcionário de hospital. “O que adianta ter economia e não ter vida?”, questionou o porteiro sobre a insistência do governo federal em normalizar as atividades.

Apresentada pela artista Inez Viana, que falou em “momento insano” do país, a cantora e ativista Preta Ferreira, que chegou a ser presa no ano passado, cantou Alguém me Avisou, de Ivone Lara. “Tudo isso vai passar, mas para isso dependemos um do outro”, disse Preta, que voltaria mais à frente para cantar Princesa Negra de Angola.

Quem voltou também foi Lucas Santtana, que cantou Tijolo a Tijolo, Dinheiro a Dinheiro, com crítica à desigualdade no país.

O bolo vai crescer
O pateta é você
Não participou da divisão
Vão indexar ao faturamento

Outros cantores que se apresentaram foram Marcelo Jeneci (Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar/ Nessa hora fique firme pois tudo isso logo vai passar) e Filipe Catto, com Lua Deserta. Taciana Barros, ex-Gang 90, interpretou Persigo São Paulo, de Itamar Assumpção, incluindo o poema Combate.

Entre uma canção e outra, pronunciamento de dirigentes mulheres das centrais. Já falaram Antonieta Faria (CSB), Sônia Zerimo (Nova Central), Vivian Queiroz (CGTB), Helena Felismino (Pública), Luiza Bezerra (CTB), Maria Auxiliadora (Força) e Regina Pessoti (UGT). Outros que transmitiram mensagens foram o secretário-geral da UGT portuguesa, Carlos Silva, e o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão.

Já pouco depois das 14h, se apresentou o rapper Wera MC, oriundo dos Guarani M´yba: “Essa terra aqui eu não invadi/ Voltei aqui pra retomar”. Depois dele, a drag Dindry Buck falou sobre projetos sociais desenvolvidos em São Paulo.

Com letras engajadas, o grupo Mistura Popular apresentou canções como Livros Sim, Armas Não, que pede “menos violência e mais educação”.