Editorial

O golaço da TVT e das novas mídias em sua missão de dar voz aos que não têm

Transmissão do 1º de Maio pela TVT e parceiros rompe bloqueio da mídia e leva espírito de unidade e solidariedade do evento a 10 milhões de pessoas

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A diversidade de opiniões e estilos musicais foram a marca do 1º de Maio, que teve a assinatura unificada de onze centrais sindicais

A transmissão da comemoração remota do 1º de Maio realizada em unidade por 11 centrais sindicais consolida o potencial da TVT e da plataforma de comunicação que inclui a Radio Brasil Atual (98,9 FM) e o portal RBA de suprir grandes lacunas deixadas pela imprensa comercial do Brasil.

Enquanto a velha mídia tem política editorial liberal contra o papel do Estado – na regulação da economia e da proteção da sociedade – e criminaliza as mobilizações sociais, a TVT dá voz aos trabalhadores, sindicatos, movimentos e artistas engajados e atinge recordes de público sem abrir mão da sua visão editorial.

A jornada do 1º de Maio colocou a TVT como quarta emissora de televisão aberta na grande São Paulo. E a Rádio Brasil Atual entre as 30 mais ouvidas. Ambas chegando ao seu público televisivo e radiofônico diretamente, por um lado. E por outro contando com o efeito multiplicador das redes sociais, da RBA, e da parceria de dezenas de sites, blogs, em perfis em redes de comunicadores movidos pelo profissionalismo e também pelo compromisso com a democratização do acesso à informação.

Uma verdadeira comunicathon, uma maratona de televisão de mais de seis horas. A organização do evento acertou a mão nas personalidades e artistas. As mensagens e cantorias deram um ritmo dinâmico à transmissão.

Um dia após  a transmissão, a audiência continua crescendo nas redes sociais e páginas da internet. A estimativa de público alcançado está na casa dos 10 milhões de pessoas.

O desafio para a plataforma, que trabalha em parceria com o Brasil de Fato, é ainda mais vitorioso por ser mantida pelos sindicatos e associações de trabalhadores, a única experiência na história do Brasil. Que mesmo com alta popularidade e audiência sofre boicote das agências de propaganda.

Golaços

Quando esse projeto estava pronto para unificar as redações – TV, rádio e portal – em um mesmo endereço na Avenida Paulista, veio a quarentena. Os profissionais, em vez de se encontrar na nova casa, passaram a trabalhar de casa.

O trabalho remoto não limitou esforços, e em poucos dias estava reorganizado. Levou até ao lançamento de um novo programa de debates, aos domingos das 18h às 20h.

A maratona do 1º de Maio criou uma grande rede nacional. E produziu pérolas como uma citação do músico Roger Waters a uma certa Claudia durante sua apresentação. O roqueiro britânico que já havia posto a cara a tapa durante turnê pelo Brasil em 2018 ficou impressionado pelo formato e propósitos da manifestação. E quis agradecer a Cláudia (veja aqui) que o procurou parar explicar o projeto e o convidou.

O sucesso e a temperatura do evento fizeram com que o principal telejornal do país, na Rede Globo, rompesse seu bloqueio aos que costumam estar do lado de cá da história. Com imagens geradas pela TVT, o Jornal Nacional exibiu falas de ex-presidentes e ex-candidatos – como Lula, Dilma, FHC, Ciro Gomes e Marina Silva – e personalidades políticas que há anos não subiam no mesmo palanque.

Depois de décadas dedicando-se a criminalizar Lula, Dilma e a esquerda, o JN mostrou os ex-presidentes do PT na condição de atores políticos cujas vozes precisam ser ouvidas – sobretudo por quem quer construir um novo caminho para o país depois que essa tormenta passar.

A TVT, junto com a Rádio Brasil Atual e a RBA, cumprimentam todos os veículos, comunicadores, artistas e ativistas que fizeram deste 1º de Maio uma das maiores e mais criativas manifestações do Dia do Trabalhador. E que teve como principal palavra-chave a solidariedade. Um golaço dos movimentos sociais. E das novas mídias.