Crítico

Estado de São Paulo tem quase 700 trabalhadores da saúde afastados por coronavírus

Situações mais graves estão no Conjunto Hospitalar de Sorocaba, com 230 afastamentos de trabalhadores da saúde, e no Hospital das Clínicas, com 200

Sindsep
Trabalhadores da saúde que atuam com casos suspeitos ou confirmados de coronavírus não recebem equipamentos adequados

São Paulo – Quase 700 trabalhadores da saúde do governo de São Paulo estão afastados por casos suspeitos ou confirmados de contaminação por coronavírus, segundo o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado (Sindsaúde). As situações mais graves estão no Conjunto Hospitalar de Sorocaba, com 230 afastamentos, e no Hospital das Clínicas, na capital, com 200 afastamentos. Mas outras unidades do estado chegam a ter mais de 50 servidores afastados. Para o sindicato, a situação reflete a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e a falta de planejamento do governo de João Doria (PSDB) para enfrentar a pandemia.

“Os EPI só começaram a chegar essa semana, mesmo assim em quantidade insuficiente. Ainda tem muita gente ficando sem. Não ter EPI é colocar não só o servidor, mas todo o sistema de saúde em risco, porque os afastamentos reduzem a capacidade de atendimento”, explicou a presidenta do Sindsaúde, Cleonice Ribeiro. Entre os itens em falta, estão máscaras comuns, máscaras N95 e aventais. Situação semelhante ao que ocorre na capital paulista, onde 16 trabalhadores da rede municipal de saúde morreram em casos suspeitos ou confirmados de coronavírus.

Ela ainda relata que trabalhadores do setor de nutrição estão oferecendo alimentação a pacientes de coronavírus sem proteção adequada, apenas com aventais e máscaras de pano, que depois são levadas para eles mesmos lavarem em suas casas.

Para Cleonice, a dificuldade em afastar servidores por risco de comprometer o atendimento à população se deve à política de sucateamento que os sucessivos governos do PSDB aplicaram na saúde. “São 20 anos sem reposição adequada, sem concurso. Os trabalhadores estão envelhecendo, se aposentando. Mas preferiram ‘quarteirizar’ serviços, sucatear. Agora dizem que não podem liberar profissionais de saúde de grupos de risco, porque não tem como substituir, mas isso é uma consequência dessa política. E não vão ser as contratações de emergência que vão resolver, embora sejam urgentes e necessárias”, argumentou.

As contratações citadas pela presidenta do Sindsaúde foram anunciadas ontem (13) por Doria. Serão empregados 1.185 profissionais, sendo 260 remanescentes de concursos públicos e 925 contratações diretas, por 12 meses. Do total, serão 245 médicos, 630 profissionais de enfermagem e os demais, de várias funções da área. Mas, segundo Cleonice, seriam necessários 20 mil profissionais para cobrir o déficit e permitir o pleno funcionamento do sistema de saúde.

Cleonice destacou que o governo Doria se recusou a dialogar com o sindicato sobre a situação dos trabalhadores e a falta de equipamentos de proteção. E só o fez após uma decisão judicial. Mesmo assim, o governo vem descumprindo os acordos feitos com a categoria, como quanto à promessa de liberação dos trabalhadores da saúde que têm mais de 60 anos ou apresentam problemas de saúde que os incluam em grupos de risco. “Até agora isso não foi feito”, afirmou.

O afastamento de trabalhadores da saúde afeta principalmente hospitais na capital, mas também no interior de São Paulo. Além dos dois já citados, são 53 servidores afastados por casos suspeitos ou confirmados de coronavírus no Hospital Geral de São Mateus, 58 no Hospital Geral de Taipas, 50 no Hospital Heliópolis, 32 no Hospital Geral de Guaianases, 18 no Hospital Cachoerinha, 14 no Hospital Darcy Vargas e 13 no Hospital Mandaqui, além de outros em várias unidades.


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