Na capital

Chega a 19 o número de trabalhadores da saúde em São Paulo mortos por coronavírus

Sindicato dos servidores municipais registrou ontem a morte de mais dois trabalhadores da saúde da rede municipal em meio à pandemia de coronavírus

Rafael Kage/CC
Sindicato reivindica que todos os trabalhadores na saúde tenham os equipamentos de proteção básicos, como viseira, máscara e avental, em quantidade suficiente para evitar a contaminação

São Paulo – O Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep) registrou ontem (23) mais três trabalhadores da saúde mortos em casos suspeitos ou confirmados de contaminação por coronavírus. Elismar Almeida Amador, médico ortopedista e traumatologista no Hospital Municipal Tide Setúbal; Samuel Modesto Gariroba, controlador de acesso da Assistência Médica Ambulatorial (AMA)/Unidade Básica de Saúde (UBS) Integrada Chácara Cruzeiro do Sul, na zona leste da cidade; e Suzana Aparecida Vital, médica da UBS Vila Esperança, também na zona leste. Assim, a capital paulista chega a marca de 19 servidores da saúde mortos em meio à pandemia.

A prefeitura de São Paulo informou no dia 15 que 3.876 trabalhadores da saúde municipal estão afastados por casos suspeitos ou confirmados de coronavírus. De acordo com os dados, 2.821 profissionais afastados trabalham nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), outros 1.005 atuam nos hospitais municipais e 50 são trabalhadores do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM). O governo municipal registra oficialmente 17 trabalhadores da saúde mortos por coronavírus.

No entanto, o governo do prefeito Bruno Covas (PSDB) não atualizou os dados desde então. O número de servidores afastados divulgado pela prefeitura representa um aumento de quase sete vezes do número de trabalhadores da saúde afastados na segunda quinzena de março, segundo levantamento do Sindsep: 559.

No mesmo dia 15, os trabalhadores da saúde municipal denunciaram que as máscaras de proteção entregues governo Covas (PSDB) eram de baixa qualidade, feitas de um material muito mais fino que os das máscaras normalmente utilizadas na rede de saúde. O material, da marca Bompack, vem sendo entregue nas unidades desde o início da semana.

Servidores tiraram fotos comparando os modelos e a diferença de espessura entre os modelos é significativa. “Não sei se é melhor trabalhar com ou sem essa máscara. Isso é um cala-boca da prefeitura, para dizer que está protegendo os profissionais de saúde. É vergonhoso oferecer esse material no meio dessa situação”, relatou uma trabalhadora da saúde que pediu para não ser identificada.

As máscaras foram entregues após semanas de denúncias de falta de EPI para os trabalhadores da saúde, que acabam sendo obrigados a reaproveitar parte dos equipamentos, utilizar sacos de lixo como avental, atuar sem máscara de proteção, entre outros problemas, no atendimento a pacientes suspeitos ou confirmados de coronavírus – colocando suas próprias vidas em risco.

Segundo o Sindsep, além de máscaras, luvas, álcool em gel, também estão em falta os protetores faciais, toucas cirúrgicas e demais itens de proteção para o corpo. Aventais e macacões impermeáveis não têm sido recebidos em número suficiente para estes profissionais.

Pesquisa realizada pelo sindicato revelou que 62% dos trabalhadores da saúde afirmam não ter acesso à máscara do tipo N95, e ainda enfrentam a falta de máscaras cirúrgicas (52%). Além disso, não há álcool para 70% dos profissionais e avental, para 30%. Para o Sindsep, essa situação está diretamente relacionada ao aumento do número de trabalhadores da saúde mortos por coronavírus.

Trabalhadores da saúde mortos em casos confirmados ou suspeitos de covid-19:

  • Maria da Glória Souza, técnica de enfermagem do Hospital Municipal da Cidade Tiradentes;
  • Juraci Augusta da Silva, de 72 anos, auxiliar de enfermagem no Hospital Municipal Carmino Caricchio;
  • Idalgo Moura dos Santos, de 45 anos, enfermeiro, funcionário da Organização Social de Saúde (OSS) SPDM, trabalhava no Hospital Municipal Carmino Caricchio;
  • Eduardo Gomes da Silva, de 48 anos, auxiliar de enfermagem no Hospital Tide Setúbal, funcionário da OSS SPDM;
  • José Alves Galdino da Silva, 38 anos, trabalhador terceirizado da vigilância do Hospital Municipal Dr. Benedicto Montenegro;
  • Paulo Roberto Moreira Palazzo, 56 anos, médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU);
  • Marceliane Maciel, de 53 anos, servidor da Unidade Básica de Saúde (UBS) Sacomã;
  • Luzanira Odílio, de 61 anos, auxiliar de enfermagem do Hospital Municipal do Campo Limpo;
  • Maria Elisa Reis de Oliveira, 66 anos, auxiliar de enfermagem da UBS Jardim Peri;
  • Ângela Maria Salomão, 64 anos, agente comunitária de saúde na UBS Jardim Guairacá;
  • Jaime Takeo Matsumoto, médico ortopedista do Hospital Municipal Tide Setúbal;
  • Adélia Maria Araújo de Almeida Oliveira, médica pediatra do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus;
  • Maria dos Santos, enfermeira do Hospital Municipal de Pirituba e do Hospital Estadual do Mandaqui;
  • José Antônio da Boa Morte, técnico de enfermagem em uma empresa de ambulâncias que atendia o serviço de saúde de São Paulo;
  • Frederic Jota Silva Lima, médico clínico da UPA 26 de Agosto;
  • Rubens da Costa, auxiliar administrativo da UBS Jardim Macedônia;
  • Elismar Almeida Amador, médico ortopedista e traumatologista no Hospital Municipal Tide Setúbal;
  • Samuel Modesto Gariroba, controlador de acesso da AMA/UBS Integrada Chácara Cruzeiro do Sul;
  • Suzana Aparecida Vital, médica da UBS Vila Esperança.


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