quarentena

Governo atrasa renda emergencial e informais já têm dificuldade até para comer

Trabalhadores esperam pelo auxílio de R$ 600 a R$ 1.200 aprovado pelo Congresso, mas ainda faltam providências do governo federal

madame.furie/flickr/Creative Commons
A rotina de quem trabalha informalmente é o que determina os valores recebidos durante o mês. Sem trabalho, pessoas aguardam ajuda do Estado

São Paulo – A pandemia do coronavírus fechou comércios e deixou boa parte da população em casa. Entretanto, após a terceira semana de quarentena, trabalhadores informais e autônomos relatam dificuldade de pagar as contas e até para se alimentar.

A rotina de quem trabalha informalmente é o que determina os valores recebidos durante o mês. É o caso da manicure Marcele Xereim, que mora e trabalha na região de Cotia, na Grande São Paulo, e está há duas semanas parada. Ela relata que a situação está complicada.

“O momento de quarentena tem sido difícil. Estou sem ir trabalhar no salão e eu pago minhas contas com esse trabalho, que é sem carteira assinada. Sem poder sair de casa, não atendo minhas clientes. É triste se encontrar dentro de casa sem ter o que fazer”, afirma Marcele à repórter Larissa Bohrer, da Rádio Brasil Atual.

A vida de Vagner Santos também não está nada fácil. Ele trabalha como sapateiro e engraxate na região da Avenida Paulista. Para sobreviver, ele tentou, sem sucesso, até vender bala no metrô para não passar fome neste período.

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“Essa pandemia pegou todos de surpresa. Todo meu dinheiro acabou. Fui no Bom Prato pegar uma marmita, acabou e fiquei sem comer ontem. Estou passando muita dificuldade, assim como muita gente”, conta Vagner.

Os trabalhadores informais esperam pelo auxílio de R$ 600 prometido pelo governo federal, que foi publicado, nesta quinta-feira (2), em edição extra do Diário Oficial da União.

A lei que cria auxílio de R$ 600 mensais, por três meses, a trabalhadores informais. A ideia inicial da equipe de Bolsonaro era pagar R$ 200 à população, mas o Congresso aumentou a proposta. A renda deverá beneficiar 54 milhões de pessoas, com custo de R$ 98 bilhões e será limitado a duas pessoas da mesma família.

Mariella Gallafrio, tatuadora na região da Liberdade, região central da capital paulista, conta que além da dificuldade financeira, ela enfrenta problemas psicológicos, como a ansiedade, que torna ainda mais difícil o seu dia a dia. “É uma coisa que atrapalha minha produção. Como a gente vive nessa troca financeira, você se sente desamparado, trancado em casa.”

Em tempos de quarentena, muitas pessoas são amparadas pela solidariedade dos outros. É o caso do professor e personal trainer Felipe Fagundes, que mesmo com a renda reduzida, já que não pode dar aulas presenciais, continua pagando a diarista que o ajuda na limpeza da academia e de sua casa. “Eu vou continuar pagando normalmente, porque ela não pode ficar sem receber nada”, afirma.


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