Distanciamento

Agendar atendimento pode evitar aglomerações nas agências da Caixa pelo auxílio emergencial

Diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo defende medidas para proteger empregados e população do coronavírus durante pagamento do auxílio emergencial

Fábio Rodrigues Pozzobom/Agência Brasil
Trabalhadores da Caixa querem evitar filas no pagamento da renda emergencial

São Paulo – Os saques do auxílio emergencial por trabalhadores autônomos, informais e desempregados deveriam ser agendados previamente para se controlar o acesso e evitar aglomerações em frente às agências da Caixa Econômica Federal (Caixa), defende o diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Dionísio Reis, que também é coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa. “Não é possível ir para a frente de uma agência e encontrar aquela fila enorme, com um monte de gente aglomerada”, alertou o dirigente, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

O governo federal anunciou nesta terça (07) o calendário de pagamento do auxílio de até R$ 1.200 por família de trabalhadores autônomos, informais e desempregados durante a pandemia do novo coronavírus, previsto para começar na quinta (09). Assim como ocorrem nos pagamentos dos programas sociais, a Caixa terá o desafio de concentrar e operacionalizar os cadastros e o pagamentos das verbas.

Dionísio afirma que seria de se esperar que os demais bancos, especialmente os privados, participassem desse esforço de garantir renda mínima à população, o que não se confirmou. “É importante destacar esse papel. Em meio à pandemia, ninguém quer fazer o pagamento. Mas nós vamos fazer, porque temos condições, temos know-how . No entanto, é fundamental que se dê condições efetivas aos empregados da Caixa (para trabalharem em segurança)”, afirmou.

Negociação liderada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pela Comissão dos Empregados garantiu que a maioria dos trabalhadores da Caixa faça home office durante a pandemia. As medidas visam a proteção não apenas dos bancários, mas também da população, colaborando com os esforços de isolamento social necessários para conter a disseminação da doença.

Dionísio destaca que a pandemia não é, como se diz, “democrática”, já que os mais ricos e a classe média têm mais condições de cumprir a quarentena, e contam com amplos serviços bancários pela internet. Já as classes populares se expõem à contaminação, exercendo trabalhos precários, como motoristas e entregadores de aplicativos. O agendamento telefônico é fundamental, segundo ele, para evitar que as agências bancárias se transformem em locais de transmissão.

Ainda segundo o sindicalista, são cerca de 250 mil trabalhadores, grande parte do setor administrativo, que estão cumprindo as suas funções remotamente. “É absolutamente necessário o isolamento horizontal, neste momento. Para isso, os bancos devem entender que só o atendimento essencial deve ser exercido pelas agências”, afirmou em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (7).

Também estão suspensos os descomissionamentos, redução de gratificação por desempenho, enquanto durar a quarentena . Nos bancos privados, os trabalhadores conquistaram estabilidade durante esse período, com a interrupção das demissões.


Leia também


Últimas notícias