Luto

Morre João Felício, ex-presidente da Apeoesp, da CUT e da Confederação Sindical Internacional

Professor de História da Arte na rede pública estadual, em São Paulo, ele completaria 70 anos em novembro

Roberto Parizotti/CUT
João Felício começou a militar entre os professores nos anos 1970. No sindicalismo internacional, insistia na necessidade de se organizar para enfrentar o processo de globalização

São Paulo – Morreu na madrugada desta quinta-feira (19) o professor João Felício, 69 anos, ex-presidente da CUT, que de 2014 a 2018 comandou também a Confederação Sindical Internacional (CSI). Teve dois filhos. Ele lutava contra um câncer no pâncreas. O velório começa às 14h, no Cemitério do Araçá, em São Paulo, com enterro marcado para as 17h, no mesmo local.

Durante três mandatos, Felício foi presidente do Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Dirigente da CUT, tornou-se presidente em 2000, até 2003. Chegou a exercer temporariamente a direção em 2005, quando Luiz Marinho foi para o ministério do governo Lula. Em 2014, elegeu-se para o comando da CSI – o primeiro brasileiro e latino-americano nessa função.

Felício transmitiu o cargo em 2018 para o nigeriano Ayuba Phlipus Wabba. Insistia na necessidade de acompanhar o processo de globalização da economia.

Nascido em Itapuí, no interior paulista, Felício completaria 70 anos em novembro. Em 1972, conclui curso de Desenho e Plástica, Educação Artística e História da Arte na Fundação Educacional de Bauru, e no ano seguinte começou a trabalhar como professor na rede pública estadual. Ao participar das mobilizações dos professores, nos anos 1970, integrou o comando de greve e foi do conselho de representantes, até chegar à direção da Apeoesp, eleito presidente pela primeira vez em 1987.

Felício também foi secretário sindical do PT. No final do ano passado, assumiu a coordenação da Articulação Sindical, substituindo Sérgio Nobre, eleito para a presidência da CUT.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, Sérgio lamentou a perda. “Uma grande liderança, um sábio, grande conselheiro, lutador incansável pela democracia, pelos direitos da classe trabalhadora”, afirmou, destacando o “momento tenebroso” que o país vive.

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