Coronavírus

Metroviários de São Paulo exigem paralisação de serviços não essenciais

Reivindicação é que apenas trabalhadores da saúde, alimentação e segurança usem o serviço. “O metrô não pode ser veículo de contaminação das pessoas”, diz coordenador do sindicato

Rovena Rosa/EBC
Governo Doria aproveitou a pandemia para retirar direitos dos trabalhadores metroviários, que prometem greve para amanhã

São Paulo – O Sindicato dos Metroviários de São Paulo enviou documento ao governador João Doria (PSDB), exigindo a paralisação de toda a produção, circulação e serviços não essenciais, como forma de reduzir a propagação do coronavírus. A reivindicação também foi levada à Secretaria de Transportes Metropolitanos e à Assembleia Legislativa. A entidade pede a construção de um plano de contingenciamento que reduza drasticamente a circulação de pessoas no metrô em meio à pandemia. 

“Nós entendemos que o Metrô, a partir de agora, para contenção do vírus, teria que funcionar única e exclusivamente para transportar as pessoas que são do serviço essencial, como saúde, alimentação e policiais, bombeiros, que prestam ajuda às pessoas”, explica o coordenador-geral do sindicato, Wagner Fajardo, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual. 

Até o momento, no entanto, o governo Doria vem ignorando as demandas dos trabalhadores, segundo Fajardo. “O metrô não pode ser um veículo de contaminação das pessoas pelo coronavírus”, alertou. Recente decisão da Justiça, na sexta-feira (21), obrigou o Metrô, por meio de liminar, a liberar o trabalho presencial sem prejuízo de remuneração a todos os trabalhadores com mais de 60 anos ou com doenças crônicas, que fazem parte do grupo de risco da doença Covid-19.

Na mesma entrevista, Fajardo adiantou que, além da demanda pelo uso do metrô exclusivamente por trabalhadores do serviço essencial, os metroviários afirmam estar somando forças com as centrais sindicais para derrubar no Congresso a medida provisória que permite às empresas suspender o pagamento de salário e o contrato de trabalho por até quatro meses. Para Fajardo, “isso é jogar os trabalhadores à mercê de sua própria sorte, onde o Estado se desresponsabiliza de tudo”, crítica.