Greve dos petroleiros

Petrobras impede entrada de alimentos a ocupantes do edifício-sede. Greve cresce

No final da tarde, após pressão dos sindicatos, movimentos sociais e parlamentares, a Petrobras acabou liberando a entrega de comida e água mineral

Divulgação/FUP
Greve dos petroleiros avançou para 12 estados do país e 24 unidades do sistema Petrobras, até a tarde desta segunda-feira

São Paulo– A greve dos petroleiros avançou para 12 estados do país e 24 unidades do sistema Petrobras, até a tarde desta segunda-feira (3). A situação é tensa no edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro. A diretoria da estatal recorreu à polícia para “intimidar a manifestação em apoio aos trabalhadores”, que ocupam desde a última sexta-feira (31) uma sala do edifício com objetivo de denunciar o descumprimento do acordo coletivo por parte da Petrobras. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), as bases de Amazonas, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul aderiram ao movimento.

No final da tarde, de acordo com a FUP, após pressão dos sindicatos, movimentos sociais e parlamentares durante todo o dia, a Petrobras acabou liberando a entrega de comida e água mineral aos diretores da entidade que integram a Comissão Permanente de Negociação. Eles estão desde a sexta-feira (31) na sede da estatal, na tentativa de “interlocução com a gestão”.

A empresa negou a entrada de alimentos no local, embora os trabalhadores tenham concordado que a cesta básica fosse vistoriada pela Polícia Militar. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) denunciou em redes sociais “o desrespeito explícito” da direção da estatal contra um mandato parlamentar, ao ter seu acesso ao local bloqueado. “Agridem as prerrogativas de um deputado em exercício do mandato conferido pela população!”, protestou.

“Fui impedida como parlamentar federal de entrar na sede da Petrobras, no Rio, para fiscalizar a situação dos grevistas que ocupam legalmente uma das salas. Estão sem água e estão sem comida. Absurdo!”, diz a deputada. Médica, ela pretendia conferir a integridade física dos membros da comissão, que estavam sem comer desde sexta-feira, segundo a FUP. Parlamentares têm prerrogativa de acesso a qualquer prédio público.

A manhã foi tensa também na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG). Os trabalhadores e a direção do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG) e da FUP conseguiram, na manhã desta segunda, “libertar” os 37 petroleiros mantidos em cárcere privado dentro da unidade desde as 23h30 da sexta-feira (31).

Alexandre Finamori, diretor do Sindipetro-MG e da FUP, comentou a atitude da petroleira. “Todos saíram exaustos, depois de quase 50 horas de trabalho, proibidos de saírem do local, sob ameaça de demissão por abandono de trabalho se saíssem da unidade”, afirmou. A categoria recorreu ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Polícia Federal (PF) para conseguir libertar os trabalhadores.

Negociação

Os petroleiros querem a suspensão do fechamento e das cerca de mil demissões na  (Fafen), e a instauração imediata de um processo de negociação com a empresa, pelo cumprimento do acordo coletivo de trabalho (ACT), além da revogação das medidas unilaterais tomadas pela gestão da empresa, que afetam, segundo a FUP, a vida de milhares de trabalhadores e suas famílias.

A greve foi iniciada no sábado (1º). A categoria promoveu atos em várias unidades da Petrobras em todo o país, além da sede administrativa da empresa no Rio. A Comissão de Negociação Permanente da FUP continua cobrando diálogo com a gestão da estatal.

No Rio, após a comissão de representantes ter se instalado no quarto andar do edifício para tentar negociar, a empresa impôs uma “rotina de confrontos”, de acordo com a FUP: cortou ventilação, água e energia elétrica, mas recuou ainda no sábado, depois de decisão da Justiça do Trabalho do RJ, negando liminar à Petrobras, que queria a expulsão da comissão do prédio. A decisão determinou o restabelecimento da luz e da água sob pena de multa de R$ 100 mil por hora de descumprimento. Apesar disso, os trabalhadores continuam sem ventilação.